Waine de Fátim

Caminhos da fé

Caminhos da fé

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges

Publicada há 9 anos

Neste último sábado, 2 de junho, na cidade de Trindade, GO, aconteceu a caminha de fé. Romeiros que saem de Goiânia percorrendo 17 KM até chegar na Basílica de Trindade, ”nova capital da fé”.


            Uma cena bonita de se ver, no percurso várias pessoas com barracas solidárias aos romeiros, proporcionando alimento e água. Nesse percurso há  paradas com murais retratando as estações da caminhada de Cristo, parada para um breve descanso e oração.


            A cidade se torna palco de várias atrações. O trânsito é enlouquecedor. Pessoas de todo país, de várias culturas, uma verdadeira miscelânea. Espaço em que o pecado e a fé caminham lado a lado.


            Depois de enfrentar mais de hora no trânsito para assistir à missa principal e buscar uns amigos que estavam na caminhada surgiu o primeiro desafio. Estacionar, mas onde? Por sorte tinha um grupo que alugara uma calçada e transformara em estacionamento. Menos um problema.


            Agora, o desafio de chegar até a igreja antiga, pois lá havia missa, não a que queríamos, mas missa é missa. Para chega ao nosso destino tivemos que passar pela passarela “do pecado”. Assim intitulei, lembrando da passarela do álcool em Porto Seguro. Uma rua em que há barracas dos dois lados que oferecem bebidas as mais variadas possíveis, e entre uma cortesia e outra, se aceitarmos todas chegamos ao final igual a Darlene de Pé na Cova. Voltando a nossa passarela, assim nomeei porque nessa rua estreita encontrava-se de fora a fora barracas que tudo comercializava. Para chegar até um lugar sagrado tivemos que resistir às tentações: gula, consumo, luxúria, preconceito entre outros. Então no final, a luz nos guia até o lugar prometido. E assim, pudemos ouvir a palavra sagrada.


            Após a missa, mais uma caminhada até a Basílica para conhecer e buscar os amigos. Mais um trajeto em que a fé e o pecado se misturam. Muitos pedintes, muito comércio. É necessário carregar uma bolsa inteira de moedas. Uma moedinha para a família de rua com crianças em situação precária, muitas estátuas vivas disputando o suado pão de cada dia, artistas de rua e por aí a fora.


            Ao entrar na Basílica, muito bonita, pessoas de todo país. Um lugar considerado sagrado onde se deve prevalecer o respeito e a paz. Começando pelos trajes um tanto inadequados, mais parecendo um lugar turístico. Logo vamos visitar à imagem do Divino Pai eterno. Uma fila um tanto extensa, passa-se pela imagem. Faz-se as orações e segue o caminho. Para meu espanto ao chegar no final do corredor deparo-me com pessoas tentando vender livrinhos da novena. Ali, ali mesmo. Dentro da igreja. Onde você acaba de sair de um momento de reflexão, de busca pela espiritualidade, pessoas comercializando. Para mim, uma tremenda falta de respeito com meu momento mais íntimo com Deus.


            Nesse momento refleti: Por onde está nos levando os caminhos da fé? Em todos os lugares, me parece que há uma invasão do consumismo desvairado e a paz que a fé necessita para ser sentida e vivida fica comprometida. Jesus proclamou: “...onde estiverem dois ou mais reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Parece-me que esqueceram da parte que diz reunidos em meu nome, pois o nome de Deus abafa-se com os gritos de “compre”, “doem”, “olha a lembrancinha” etc, etc.


            Em meio a toda essa atribulação me deparo com algumas pessoas ajoelhadas diante do altar, tão compenetradas, com olhos brilhando e orando com tanta fé que, toda aquela angústia por não sentir a presença divina diante de tanta balbúrdia, nesse momento aquela paz, aquela presença se fez em mim e saio crente de que a fé ainda permanece no ser humano seja qual for o caminho que trilhemos ela sempre estará presente, basta abrir os olhos e nosso coração. Assim seja.

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