
O Compadre Geraldo de Mello, famoso fazendeirão lá de Aparecida do Taboado, é um velho conhecido dos amigos da confraria da Curva do Rio. Vira e mexe, a gente conta aqui no nosso cantinho uma de suas façanhas, mas nunca dissemos que ele é o maior especialista em onças que este mundo já viu, ou seja, em outras palavras, o Compadre é o maior “Onçólogo” que se tem notícia. Dona Filó que o diga!
Tudo começou logo que se mudou para Taboado, no começo dos anos cinquenta. Um belo dia resolveu fazer uma caçada pelas redondezas da sua fazendinha de 6 mil trezentos e dezoito alqueires. Levou sua famosa Winchester novinha em folha, um bom facão de aço puro, e para lembrar os tempos de infância em Juazeiro, levou um estilingue e um embornal cheio de coquinhos de macauba. Tralha conferida, embrenhou-se pela mata.
Nem tinha andado meia légua, quando de repente deu de cara com duas brutas onças pintadas, uma de cada lado, uma maior que a outra. Aprumou a winchester, caprichou na pontaria; quando foi arrastar o dedo, percebeu que só tinha uma bala na agulha. Rápido que nem um raio, não pensou duas vezes: pegou o facão colocou a lâmina virada na frente do cano e... puuuumm! A bala rachou no meio e as duas bitelonas estrebucharam em cima do rastro.
Passado o susto, resolvido o problema, o Compadre continuou sua caminhada pela mata fechada. Pouco depois, eis que aparece outra baita onça, mais criada que as duas primeiras. Aí a coisa complicou, nessa hora a porca torceu o rabo. Dessa vez o Compadre Geraldo se viu sem saída e achou que ia virar chiclete de onça.
Mas como sempre foi devoto de São Judas, não se apavorou. De novo, pensou rápido, pegou um coquinho no embornal, colocou no estilingue e....zuuuummm! Bom de pontaria, acertou em cheio, bem na orelha da bichona que azulou no meio da mata.
Muitos anos mais tarde, caçando de novo na mesma região, de longe viu um coqueiro andando no meio da mata. Esfregou os olhos, espiou de novo, e a coisa estava lá, zanzando de um ladro para outro. Aquilo não era coisa desse mundo, era o trem mais esquisito que já tinha visto ou ouvido falar. O coqueiro andava e parava, andava e parava...
E prá piorar a situação, o povo dizia que aquele lugar era meio assombrado. Como nunca se sabe o certo, desconfiou que aquilo podia ser uma alma penada. Decidido, fez o sinal da cruz e arrepiado da cabeça aos pés, criou coragem e foi andando bem devagarinho entre a folhagem para ver de perto aquela “coisa’ do outro mundo. Foi indo, foi indo e descobriu que aquilo não era assombração. Era a tal onça pintada que ele acertou um dia com o estilingue!
Segundo o Compadre, o coquinho que ele acertou na orelha da pintada, acabou brotando e virou um belo coqueiro. Tinha até um cacho cheinho de macaúbas!