Jacqueline Ruiz

Nova recomendação dos médicos: leitura faz bem!

Nova recomendação dos médicos: leitura faz bem!

Por Jacqueline Ruiz Paggioro - Professora

Por Jacqueline Ruiz Paggioro - Professora

Publicada há 9 anos

A AAP (Academia Americana de Pediatria) recomenda que os médicos devem orientar os pais a lerem em voz alta para seus bebes para estimular a linguagem, favorecer o desenvolvimento da alfabetização e também  fortalecer as relações afetivas. Artigo de Claudia Collucci, publicado na Folha de São Paulo, em 13/08/14, no caderno Equilíbrio e Saúde, nos informa ainda que a mesma recomendação será adotada pelos médicos brasileiros, de acordo com a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria). Segundo o artigo, a APP  baseou-se em estudos que demonstram que bebês e crianças pequenas expostos à leitura têm melhores competências linguísticas quando ingressam na escola.


Se considerarmos que no Brasil mais da metade dos alunos ingressa na terceira série do ensino fundamental sem aprendizagem adequada para a leitura e que, destes, cerca de dois terços não sabem escrever corretamente, esta medida poderá auxiliar na conscientização das famílias em relação à importância da formação psicológica e intelectual dos pequenos. Mas se tornará inócua caso não se atue de forma conjunta com outras instituições que atendam famílias e crianças. No caso, mais especificamente, as escolas.


Afirmo isso com muita convicção, pois, apesar de toda a divulgação da importância da leitura e do aumento das publicações e das vendas de livros se não houver uma política pública de fomento à formação de leitores, corre-se o risco de continuarmos mantendo os altos índices de analfabetismo funcional. Para quem não sabe, é considerada analfabeta funcional a pessoa que, apesar de saber ler e escrever um enunciado simples, ainda não tem habilidades de leitura, escrita e cálculo necessárias para participar da vida social em seus diversos contextos: na esfera comunitária, no trabalho ou na política, por exemplo.


A escola, mais precisamente a destinada à educação infantil, tem um papel primordial na formação de hábitos da leitura prazerosa. Inserindo em sua rotina tempos e espaços favoráveis à formação dos pequenos, pode – e deve – incentivar a participação das famílias no prazeroso universo da imaginação, do “faz de conta” e das letras. E mais tarde, nos outros níveis de ensino, deve continuar incentivando e promovendo a participação dos jovens.


Questionamento impertinente (por mais inconveniente que seja): será que médicos e professores que não têm hábito de leitura se darão ao trabalho (e ao exemplo) de dedicarem-se à orientação e formação de famílias e crianças leitoras?

Apesar da irreverência acima, inúmeras pessoas e instituições dedicam-se à apaixonante atividade de formação de leitores e desenvolvem ações e projetos importantíssimos.


Precisamos sempre – e cada vez mais – de políticas publicas de fomento à formação de leitores.

E para encerrar, fica aqui a singela e profunda observação do maravilhoso Mario Quintana:


“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.”

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