Waine de Fátim

Escolhas

Escolhas

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Publicada há 9 anos

Livre arbítrio é a capacidade de tomarmos decisões por conta própria dentro de nossa limitação humana.


Alguns filósofos e pesquisadores atribuem o livre arbítrio a eventos originários do cérebro, à mecânica quântica, ao determinismo, fatores externos e internos entre outros. Se temos, realmente, este direito, de acordo com os estudos, não sei responder. No entanto, a questão aqui não se refere à procedência ou existência desse fator e sim de nossas escolhas. Estas fazemos uso diariamente. Claro que dentro de um padrão determinado. Diante de uma escolha nos aponta as regras: para cada ação uma reação, para cada causa uma consequência. O ponto em questão é até onde vai nossa liberdade de escolha.


Recentemente assisti a um filme que muitos de meus amigos assistiram e não se conformaram com o final. Então, como uma boa cinéfila fui tirar minhas próprias conclusões.


Gostei muito da película. Aquilo que parecia um conto de fadas com um “felizes para sempre”, na verdade mostrou uma outra faceta do ser humano. E tudo que foge do normal causa uma estranheza e até um certo desconforto. Escolher viver ou morrer, temos o livre arbítrio para tal decisão?


Religiosamente, aprendemos que só Deus tem o direito de tirar nossa vida. No entanto, se ele mesmo nos deu o direito de escolha, como solucionar este dilema?

A partir do momento que um dos protagonistas decide não viver mais, a princípio temos a impressão de ser uma pessoa altamente egoísta, fraca. Mas, ao analisar friamente a situação podemos enxergar o reverso da moeda. Ou seja, será que gostaríamos de acordar todos os dias e ver as pessoas que amamos  sofrendo por nossa situação, que estão deixando de viver por nossa causa. E até mesmo ter o desejo de abraçar e saber que não é mais possível isto acontecer. Será pecado não querer que as pessoas se lembrem de nós como uma pessoa “viva” e não como um moribundo a espera iminente da morte?


Talvez não fosse egoísmo a decisão do protagonista e sim um ato de amor. Não deixar os entes queridos sofrer por você e com você. Foi uma questão de escolha. Não podemos determinar sobre a vida do próximo, mas podemos decidir sobre nossa própria vida. Na vida não temos felicidade eterna e sim momentos de felicidade e estes devem perdurar em nossa memória para serenar nossa alma.


Particularmente achei uma atitude de amor maior. Evitar sofrimento é um gesto nobre e quando nossas escolhas não afetam drasticamente a vida do outro não deve ser condenável. Sempre haverá um antes e um depois de você.

últimas