Curva do Rio

Eita laranjinha cara, sô!

Eita laranjinha cara, sô!

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 9 anos

Certos pescadores vão morrer de velhos e nunca vão aprender a lição. Vivem se metendo em encrencas por mixarias e passando sufocos e vexames desnecessários. Claro que a coluna não “vai dedar” os autores da façanha, até porque o pessoal é gente boa e tem bom nome na praça. Gente fina mesmo, mas metida a levar vantagem em tudo e é aí que está o xis da questão.


Pois bem, dia desses o grupo voltava de uma mal sucedida pescaria e resolveu amenizar o prejuízo atacando um belo pomar de laranjas que fica na beira de uma das estradas vicinais da região. Pararam a picape cabine dupla, apanharam alguns sacos e uma caixa de isopor e entraram no pomar fazendo mais estrago que um bando de antas baleadas.


Depois de duas ou três viagens carregando laranjas até a camionete, de repente deram de cara com o dono do pomar, acompanhado de dois filhos bem grandões e mais dois funcionários da fazenda. Flagrante dos bons! O fazendeiro com um reluzente Schimit na cinta, os dois jagunços armados com cartucheiras e os dois filhos parrudos, com os braços cruzados, olhando feio prá cara de cada um da turma. Aí, o jeito foi prosear, a única saída foi negociar:


--- A gente paga pela laranja, patrão!

--- Mas eu não tou vendendo laranjas, disse o fazendeiro.

--- Mas a gente faz questão de pagar as laranjas que apanhamos, é só o senhor botar o preço!

--- Bom, já que é assim, cada saco custa R$90,00 e a caixa de isopor eu faço por R$45,00.

--- Mas essa laranjinha do senhor tá bem cara, hein patrão?

--- Não. Não tá cara não, seu moço! O senhor é que quis comprar!

Feita as contas, o líder do grupo de espertinhos, sem saída,fez o cheque e entregou pro fazendeiro. Aí o filho mais moço do dono da roça, com a simplicidade de todo caboclo de bom coração, matou no ninho, como se diz:

--- Si ocêis tivessi pidido pro pai, não ia custar nadica de nada. A gente até ajudava ocêis panhá as laranja!

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