
Por Lívia Caldeira
Delírios, vozes e visões de seres imaginários. Esse é o quadro de uma pessoa que sofre de esquizofrenia. Medo e desespero. Esses são os sentimentos de quem convive com um esquizofrénico.
Essas palavras descrevem a história de Meyrielle Miranda, que tem hoje 19 anos e sabe muito bem o que significa tudo isso.
Aos 16 anos Meyre, como é conhecida entre os amigos, ficou grávida. A notícia foi um choque para ela e os familiares e teve que enfrentar todas as dificuldades comuns a uma adolescente grávida: preconceitos, instabilidade econômica e profissional, falta de apoio, riscos na gestação... Mas mal sabia ela que o pior ainda estava por vir. Logo após o nascimento do bebê (saudável por sinal) , o namorado e pai de seu filho teve uma terrível crise paranoica, depois da qual, foi diagnosticado como "esquizofrênico".
Hoje, a jovem universitária da FEF está com 19 anos e contou à reportagem de “O Extra.net” como é a convivência com uma pessoa esquizofrênica dentro de casa.

EXTRA: Qual foi a sua reação ao descobrir que o pai do seu filho recém nascido era esquizofrênico?
Meiry: Inicialmente fiquei desesperada, e a minha primeira reação foi a chamada "não-aceitação". Eu enganava a mim mesma e tentava me convencer de que o diagnóstico médico estava errado, não era possível que eu estava começando a minha vida ao lado de uma pessoa com essa doença, os médicos com certeza deveriam estar errados.
EXTRA: Como foi a aceitação por parte da sua família?
Meiry: Reagiram muito mal, existem muitos preconceitos e mitos em relação a esquizofrenia, as pessoas têm pouco conhecimento sobre a doença. O fato da minha família não ter aceitado e me apoiado, dificultou muito as coisas. Mas o que eu podia fazer, afinal? Abandonar a pessoa que amava e pai do meu filho com medo de enfrentar a situação? Obviamente não pensei nesta hipotesi.
EXTRA: Como é a convivência e a vida de vocês hoje?
Meiry: Temos uma vida praticamente normal. Fazemos tudo o que um casal normal faz, conversamos, assistimos filmes, saímos, temos amigos e uma vida social. A única diferença é que ele não pode, de maneira alguma, parar de tomar os medicamentos, ou as crises podem voltar. Além disso, é muito importante o acompanhamento médico e psiquiátrico que ele faz, para que não tenha recaídas. Ele até cuida do nosso filho, que hoje está com um ano e meio.
EXTRA: O que você aprendeu com tudo isso?
Meiry: Aprendi muito. Uma lição de vida. Hoje com certeza tenho uma outra visão da vida, me tornei uma pessoa muito mais forte, e aprendi a admirar e valorizar a pessoa maravilhosa que está do meu lado, que se esforça, apesar de tudo, para ser um bom marido e pai pro meu filho.
Meiryelle, por meio desta entrevista concedida ao “Extra.net” , pretende desmascarar muitos preconceitos e mostrar que a doença não afeta a inteligência, não é culpa da criação dos pais, não é relacionada ao uso de drogas e nem um distúrbio de dupla personalidade. As pessoas que sofrem do mal, não são perigosas e violentas, como acreditam a maioria, e podem sim ter uma vida normal.
Um esquizofrênico pode estar sentado do seu lado, talvez no ônibus ou no metrô, pode ser o seu colega de trabalho ou amigo da faculdade, e você provavelmente não vai saber.
