Na Curva do Rio

Poço milagroso!

Poço milagroso!

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 9 anos

Na festa de Santos Reis do ano retrazado, o Alemão Eletricista foi convidado para dar uma mão para o pessoal da fazenda do Juca Severino, o conhecido e famoso “seo” Juca Sabão, lá de Limeira d”Oeste, nas Minas Gerais. Fazendeirão aprumado na vida, todos os anos faz a mais famosa e a maior festa daquela região, que vai de quatro a cinco dias seguidos. Na véspera, o Alemão ficou sabendo que o povo daquela região gostava muito de k-suco de groselha com biscoito de queijo.

Como já estava meio em cima da hora, ele comprou 500 pacotinhos de k-suco, um saco de açúcar de 60 quilos - o negócio era pra fazer bonito mesmo - e convidou o Nilton Prado, da Náutica Fernandópolis, para dar uma força na tarefa.


Os dois chegaram bem cedinho na fazenda e estacionaram a camionete perto do poço. O Nilton  foi encarregado de bater o sarilho e despejar os baldes de água em um monte de latões daqueles de leite, de 50 litros. Aí, para cada dois baldes de água, o Alemão rasgava uns três pacotinhos de k-suco e jogava no latão, com duas conchas de açúcar.


Olhava para o estradão e via chegando um cavaleiro com um companheiro na garupa. Daí a pouquinho, chegava outro na charrete com três ou quatro acompanhantes. Do meio-dia até por volta das três da tarde, tudo funcionou normalmente. A coisa começou a complicar quando chegou uma camionete com 15 pessoas e dois tratores com as carretas cheia de gente. Foi um corre daqui, corre dali. “Cumpadre´Nirto, acelera um pouco, porque a procura tá entortando o bigode”, dizia o Alemão.


Nessas alturas, o Nilton Prado já estava com o braço direito todo dolorido, de tanto tocar o sarilho, puxando baldes e baldes de água. E o Alemão nem tinha tempo pra respirar, suando lá no latão de 50 litros, com a colher de pau, para misturar o k-suco.


Mas o desespero veio mesmo quando eles olharam para a pista e viram chegar uma fila de caminhões entupidos de gente na carroceria. Nessa hora, o Alemão falou: “pode parar, Nirto, pode parar”. Afastou a camionete. Jogou o resto do saco de açúcar de 60 quilos dentro do poço, junto com o que tinha sobrado dos pacotinhos de k-suco. Depois falou: “Agora pode tocar, parceiro”.


Dois minutos depois, duas velhas beatas chegaram perto do poço e viram os baldes saindo cheios de k-suco, se benzeram e saíram correndo e gritando pro povo:

- Milagre, gente! Aconteceu um milagre, gente! O poço do seu Juca é abençoado, a água virou k-suco!

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