MINUTINHO: Suic

Creiam no Deus que fez o homem e não no Deus que os homens fizeram.

Creiam no Deus que fez o homem e não no Deus que os homens fizeram.

Por Clarius

Por Clarius

Publicada há 9 anos

MINUTINHO: Suicídio

Suicídio, não pense nisso

Nem mesmo por brincadeira...

Um ato desses resulta

Na dor de uma vida inteira.

Por paixão, Quím afogou-se

Num poço de Guararema.

Renasceu em provação

Atolado no enfisema.

Matou-se com tiro certo

A menina Dilermanda.

Voltou em corpo doente,

Não fala, não vê nem anda.

Pôs fogo nas próprias vestes

Dona Cesária da Estiva...

Está de novo na Terra

Num corpo que é chaga viva.

Suicidou-se à formicida

Maricota da Trindade...

Voltou... Mas morreu de câncer

Aos quatro meses de idade.

Enforcou-se o Columbano

Para mostrar rebeldia...

De volta, trouxe a doença

Chamada paraplegia.

Queimou-se com gasolina

Dona Lília Dagele.

Noutro corpo sofre sarna

Lembrando fogo na pele.

Tolera com paciência

Qualquer problema ou pesar;

Não adianta morrer,

Adianta é se melhorar.

Cornélio Pires.


CRÔNICA: A sabedoria do samurai

Conta-se que, perto de Tóquio, capital da Japão, vivia um grande samurai. Já muito idoso, ele agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, apareceu por ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Era famoso por usar a técnica da provocação. Utilizando-se de suas habilidades para provocar, esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de inteligência e agilidade, contra-atacava com velocidade fulminante. Na praça da pequena cidade e diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu sereno e impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:


- Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?

O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e, fixando o olhar num deles lhe perguntou:

- Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece mas você não o aceita, com quem fica o presente?

- Com quem tentou entregá-lo, respondeu o discípulo.

- Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva, e os insultos, disse o mestre. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.

Lenda japonesa.

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