Histórias do T

Lembra dos anos dourados do esporte?

Lembra dos anos dourados do esporte?

Por Claudinei Cabreira

Por Claudinei Cabreira

Publicada há 9 anos



Campanha política sempre foi um caso muito sério. E Fernandópolis, desde que me conheço por gente, a nossa terrinhasempre foi um capítulo a parte, daqueles que desafiam estatísticas e a imaginação. Como disse um dia o saudoso jornalista Franco Garcia Pelayo: “Aqui a galinha ciscaprá frente!” 


Fernandópolis é um “causo” sério. Os vivos não se entendem e quem já está no cemitério não sabe e nem nunca conseguiu explicar porque a nossa política é a mais complicada da região.. Mas vamos adiante. Voltando as olímpiadas e eleições, outra coincidência interessante é que as eleições municipais sempre acontecem em anos de olímpiadas. Daí, caem como uma luva para a mídia e os senadinhos de padarias,a comparação e o uso de chavõescomo competição, provas, corridas,obstáculos e recordes. E aí, numa campanha passada, o repórter dono da audiência local, se saiu com essa pérola:“Eleição é eleição. O jogo é jogado e o lambarí é pescado”. Mais tarde na mesma “radia” numa mesa redonda, com a voz empostada, o locutor oficial sentenciava: “A disputa está parelha e ojogo é para quem tem fôlego!”. Mas vamos adiante. 


Comparando as Olímpiadas com as eleições municipais, dentre as tantas modalidades e provas da primeira, nenhuma delas é mais apropriada para a segunda do que disputar e vencer a famosa maratona. Principalmente para os candidatos à vereador, a mais difícil de todas as provas eletivas.Ganhar a eleição para prefeito é uma coisa. Ser eleito vereador é outro departamento, é muito mais do que difícil e complicado. Afinal, dezenas de famílias tem um candidato natural, todo mundo tem um amigo candidato, um primo, um vizinho, o primo do vizinho e poraía coisa vai. Então a pulverização de votos é inevitável. Mas vamos lá. 


Nos anos sessenta quando o rádio funcionava como um eficiente correio express mandando recados e noticias importantes prá todo mundo em tempo real, os locutores e animadores sertanejos imperavam. Líderes de audiência, eram vistos e tidos como os anjos da guarda,eram pessoas iluminadas e amigas do povo. E eram mesmo. E lá em Mirassol, tinha o Carrapicho, líder absoluto de audiência, amado pelo povo da cidade e dos confins do mundaréu. 


Carrapicho era um homem simples e de bom coração. A única coisa que o diferenciava das outras pessoas é que ele era “radialista”. Mas ele, sempre humilde, sem se afetar com a fama, tocava sua vidinha em paz. E essa paz acabou quando o povo e os donos da cidade “acharam” que no mínimo dos mínimos, o Carrapicho tinha que ser vereador. 


Humilde como sempre, agradecido, elegantemente ao seu jeito recusou o generoso convite.E sem a malícia desses tempos canalhas e insanos, disse com todas as letras: “Obrigado meus amigos, mas eu não levo jeito prá coisa, eu não dou prá ser vereador” 


Os amigos políticos e o povão cuidaram de forçar a barra pela sua candidatura.. Carrapicho tinha de ser vereador, afinal, ele era a voz do povo. Ele não queria, mas os “especialistas da campanha”explicaram que prá ser eleito só precisava de 30 votos.  Ganhava de lavada, teria uma votação tão extraordinária que seria eleito não só vereador, mas o presidente da câmara de vereadores!! Era uma barbada. Favas contadas! 


Com tanta gente importante e poderosa e o povão “piando na sua oreia” , Carrapicho capitulou e saiu candidato a vereador lá na velha e antiga Mirassol. Precisava só de trinta votos. Todo dia recebia o dobro disso em ligações durante o seu programa na emissora. E no dia da apuração, o velho radialista teve a maior decepção de sua vida; não conseguiu se eleger. Teve menos de vinte votos. Aborrecido com o resultado, deixou o emprego e mudou-se da cidade. Nunca mais ninguém teve notícias do Carrapicho. Semana que vem tem mais. Até lá.

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