Ontem, dezesseis de agosto de 2016, participei – assim espero – de minha penúltima reunião de pais no ensino secundário. Restará apenas aquela do bimestre final. Então, me aposento.
Depois de trinta e dois anos lecionando e participando de reuniões com pais e estudantes, aprendi algumas coisas: primeiro que o efeito desses encontros é quase nulo. Na medida em que espera-se que compareçam os pais dos “alunos problemáticos”, a fim de que conversemos, isto é, apresentemos nossas verdades, responsabilizemos pais e estudantes pelo fracasso, para, em seguida, aguardar uma solução dos mesmos.
Evidente: estou a usar um nós, todavia, com sinceridade, depois de tanto errar e aprender um pouco, me eximo da inclusão de meus nome e trabalho nesse rol. Aprendi que o sucesso da execução de um trabalho exequível passa pelo estudo, dedicação e compromisso do professor, em estudar, preparar as aulas, ter domínio do conteúdo, compreender a tênue linha que medeia as relações pervertidas entre autoridade e autoritarismo.
Infelizmente a maioria não o faz. No entanto, não é meu propósito discorrer acerca desse tema. Meu intento é propor a reflexão de outra questão, a qual já abordei nesse espaço: a desresponsabilização de jovens, adultos e crianças.
Ao nos prepararmos para nossa reunião, nossa coordenadora apresentou um texto de autoria da psicóloga Rosely Sayão, no qual a colunista aborda a necessidade de exigirmos dos estudantes a devida responsabilidade com a qual deverão encarar o estudo. Atividade penosa, difícil, chata, porém, necessária, cuja dificuldade, segundo a autora, leva as crianças, jovens e adultos a ocuparem-se com outras coisas – atrativas – a fim de fugirem do problema.
Esse é o ponto: criamos um exército de mimados e chorões que preferem se esconder em brincadeiras e futilidades a realizar obrigações.
Ao invés de cobrarmos, buscamos justificativas estapafúrdias para a omissão.
Autoridade em nada se relaciona com autoritarismo. A necessidade das regras, de realização de contratos e acordos não redunda em autoritarismo, em desrespeito.
Acostumá-los à ausência de regras e cobranças, proporciona a gestação desses neofascistas que bradam pseudo-direitos, se arrolam uma inexistente autoridade para reivindicarem, sem autoridade moral, ética ou argumentos, a não ser: “– Quero. Logo, é meu direito”.
Fracassamos. Se continuarmos a insistir no erro, o resultado será ainda mais catastrófico.