Waine de Fátim

Oh, abram alas que eu quero caçar

Oh, abram alas que eu quero caçar

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Publicada há 9 anos

Há duas semanas um fenômeno estreou em nosso país. Muitos esperavam ansiosos, minuto a minuto, de olho na tela para ser o primeiro a baixar e começar a temporada de caça.


Nos primórdios a caça era uma atividade de subsistência. Passados anos, foi considerada um momento lúdico em que os monarcas praticavam para se afastarem do enfado e como forma de adestramento de animais.


Existiram vários tipos de caçada como: caça às bruxas, caça aos judeus, caça aos quilombolas, caça ao tesouro. E hoje nos deparamos à caça virtual. E por falar em caçada recordo de um filme um tanto “pitoresco”, Uma noite de crime. Nele as pessoas têm 12 horas para cometer qualquer atividade ilegal, libertando seus impulsos violentos que supostamente garantiria paz nos outros dias do ano. 


Recordei-me desse filme ao me deparar com tantas pessoas à solta, com uma arma na mão (o celular) em busca de sua presa sem pensar nas consequências.

Pokémon Go, um jogo eletrônico que consiste em capturar criaturas virtuais com ajuda do GPS no mundo real, ou seja, temos “monstrinhos” virtuais espalhados por toda localidade. Assim, os caçadores saem de suas cavernas, montam seus cavalos e rastreiam seu prêmio.


Caça como momento lúdico é a nova onda. E como toda caçada oferece seus perigos, podemos observar que muitos dos novos caçadores saíram para essa aventura sem os aparatos próprios para essa atividade esquecendo das armadilhas que podem estar espalhadas nessa jornada.


Apesar de ser uma bela cena: pessoas de todas as idades circulando, correndo por lugares públicos, explorando. A preocupação é o olhar fixo na tela e a desatenção ao seu entorno. Devemos lembrar que a ocasião faz o ladrão.


O jogo pode até ser usado como estratégia de aprendizagem, uma vez que proporciona a vivência de situações reais e imaginárias, indica normas e colaboração. Mas, enquanto utilizado só como diversão deve ser dosado, os limites respeitados. Não nos parece muito lógico pessoas, adultas, aparecerem ao seu lado desesperadas em pegar um Pokémon que está ocupando o mesmo espaço que você. Não devemos chegar ao ridículo e ao vício. A diversão é necessária, o nonsense é atestado de insensatez.

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