
Um certo e conhecido língua preta de plantão, bem do tipo “Amigo da Onça” contou dia desses que um velho amigo nosso estava belo e folgado no seu rancho descansando, lendo uma revista, esticado numa rede, tomando uma cervejinha gelada quando no finalzinho da tarde seu netinho Nícolas, de seis anos se aproximou e puxou conversa:
- Ô vovô, vamos lá embaixo ver o rio?
- Ih, agora não dá, essa hora já é muito perigoso, porque o “Neguinho D’Água” pode pegar a gente!
O menino pensou, pensou e voltou à carga:
- Que jeito é esse “Neguinho D’Água”, hein vovô?
E aí, o nosso amigo, contador de estórias dos bons, caprichou na descrição do bicho:
- Ah! É um bicho grandão, feio e peludão, dentuço e muito feroz!
-Ô vovô, o senhor acha que eu acredito nessa história? Fala que num quer ir e pronto!
Passou alguns minutos e o pequeno Nícolas começou de novo:
- Vovô, então vamos lá ver o curral?
- Ih, também não vai dar! Vai que aparece a Mula Sem Cabeça... explicou.
Quando ele esqueceu o assunto, o menino perguntou outra vez:
- Ô vovô, essa Mula sem Cabeça, tem orelhas?
Distraído com sua leitura, o desavisado vovô respondeu:
- Tem sim... e são bem grandonas!
- E ela também tem boca?
-Viche se tem... cheia de dentes bem pontudos e enormes!
- Ih, vovô, então essa sua Mula sem Cabeça, tem cabeça sim!