Observar uma criança pode ser uma vivência muita rica para o adulto. Na verdade, quando se fala em aprendizado, há uma maior tendência em pensar naquele que os pais e mestres dispensam às crianças. Mas ao observá-las, podemos perceber que há uma riqueza de ensinamentos transmitidos por elas. Em várias ocasiões elas nos dão lições sobre nossos preconceitos e nossa atitude perante à vida.
Em casa, gosto muito de conversar com minhas meninas, saber como passaram o dia, como foi na escola, o que fizeram... e desta forma, além de nos relacionarmos com carinho, vou conhecendo cada uma mais, em sua individualidade, seus costumes, ideias e ações, porém o mais interessante e gostoso de ver e sentir é a alegria que elas têm no coração, no olhar e no agir. Para elas, tudo é festa, cada simples detalhe já é o bastante para virar assunto e gerar muitos questionamentos e altas risadas. E eu, fico ali, tentando responder perguntas e entender brincadeiras. Mas na verdade, percebo que quem mais aprende com tudo sou eu, embora elas também tenham muitas dúvidas esclarecidas.
Aprendo em cada um dos nossos bate-papos o quanto a vida, em sua simplicidade e nos pequenos detalhes, pode ser prazerosa e divertida.
Nós, adultos, muitas vezes, na correria do dia a dia, nos esquecemos até mesmo de sorrir e com as responsabilidades, as cobranças, os problemas e a complexidade da vida adulta, não conseguimos manter a alegria de viver que as crianças carregam com naturalidade. Ficamos ocupados demais com tantos afazeres que não sobra tempo, ou até mesmo o desejo, de ver o lado bom das coisas. Precisamos entender que as crianças podem ser referências de simplicidade para nós. Normalmente, elas necessitam de muito pouco para se sentirem felizes. Sendo assim, a infância nos mostra e nos dá o exemplo de que a simplicidade e a naturalidade são ferramentas indispensáveis no exercício do crescimento como pessoa integralmente saudável.
Nós, adultos, precisamos fazer despertar esta criança saudável que adormece em nosso interior, é claro que não vamos voltar a agir como fomos no passado, afinal amadurecemos e temos responsabilidades, mas o que devemos resgatar para nos sentirmos mais leves e de bem com a vida, é a simplicidade, o amor verdadeiro e o olhar puro sobre as coisas e as pessoas que estão ao nosso redor, contribuindo para que possamos associar esta experiência adquirida na infância às da vida adulta e fazendo com que sejamos pessoas melhores e, consequentemente, mais felizes, assim como nossas crianças.
A inocência e a pureza dos pequenos projeta um olhar positivo da vida. Cheias de esperança e otimismo, elas acreditam nos sonhos mais distantes e não enxergam maldade nas pessoas. Ingenuidade? Talvez. Mas embora o mundo não seja tão colorido quanto os pequenos imaginam, o pensamento positivo faz com que elas acreditem que são capazes de realizar sonhos, enquanto muitos adultos desistem antes mesmo de tentar.
Quando Jesus disse: “Vinde a mim as criancinhas porque delas será o reino dos céus!”, queria dizer que, para evoluirmos espiritualmente e ascendermos outros níveis, temos que, necessariamente, reencontrar em parte o que fomos um dia, isto é, a pureza, a originalidade e a simplicidade de ser criança.
“Sejamos muito maduros, crescidos, amadurecidos com a vida, mas não percamos esse coração puro de uma criança, porque quanto mais desprovido e necessitado
for o nosso coração do amor divino, tanto mais
Deus cuidará de nós”.