Na Curva do Rio

Qualquer uma serve

Qualquer uma serve

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 9 anos

     


 Lá nos anos setenta um conhecido e saudoso candidato à vereador aqui da

terrinha, sujeito de bem e por sinal muito bem de vida também, resolveu começar sua   campanha eleitoral, lá pelas bandas do Córrego dos Coqueiros. Chegou na antiga vendinha do lugar e de cara pagou uma rodada de engasga-gato pro povo que estava proseando no boteco...


     Se apresentou ao eleitorado e todo empolgado fez um belo e inflamado discurso e depois se ofereceu para ajudar em tudo o que as pessoas necessitassem. Veio o primeiro peão e pediu duas varas de pesca, um carretel de linha de nylon e meia dúzia de anzolinhos e chumbadas. O segundo pediu dois sacos de milho triturado e um de farelo, para fazer uma ceva bem caprichada. O terceiro queria um lampião e uma caixa de pesca, e assim foi... Todos os que por ali passavam só pediam artigos para pescaria. O candidato, mesmo um tanto intrigado com a folga do pessoal, foi comprando e pagando o que o povo pedia.


            Até que no finalzinho da tarde, quando ele já estava de saída, chegou um sujeitinho que queria comprar uma enxada. O nosso candidato a vereador, desceu do seu carrão foi lá e elogiou o moço:


           - Até que enfim apareceu alguém que deseja trabalhar pela nossa agricultura; parece que aqui, quase todo mundo só pensa em pescaria. Meu filho, não se acanhe, escolha a melhor enxada, pois ela irá auxiliá-lo no seu trabalho. Pago com o maior prazer do mundo!


            E o baixinho magricela, dando uma baforada no seu palheiro:


          - Não precisa disso tudo, não doutô, pra cavucá atráis di minhoca, quarqué uma serve...

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