Enquanto escrevo essa coluna, dia quatorze de setembro de dois mil e dezesseis, estamos a quatro dias de se completar quarenta e seis anos da morte de Jimi Hendrix. Faz tempo. Sua idade à época? Vinte e sete anos, próximo de fazer vinte e oito. Em Agosto, mais ou menos um mês antes, falecera Janis Joplin. Idade: vinte e oito anos incompletos. Em Março do ano seguinte, baixou à sepultura Jim Morrison. Quantos anos tinha? Vinte e oito anos incompletos.
Poderia citar Brian Jones, falecido em 1969, com a mesma idade. Algumas décadas depois Kurt Cobain, Amy Winehouse, por exemplo, mesmos fins trágicos e mesmo tempo de vida?
Coincidência? Como cético diria sim. Porém, há algo além.
Parece existir um “tempo de validade” para todos aqueles que ousam, que se recusam a uma vida medíocre, para os quais, o tempo – seu tempo – é precioso demais para ser desperdiçado com convenções, cautela e receios. É o “jogo de dados” como diria Mallarmé. Lançam-se os dados para um futuro aberto, sem ressentimentos ou rancores. “Vai-se para a rua e bebe-se a tempestade”, nos lembra Chico Buarque de Holanda.
Vidas autenticas que se recusam à mesmice e obviedades reinantes entre os bossais. Morre-se de vodca, não de tédio.
O tempo de existência não é cronológico, porém, pautado nas escolhas que lhe dá sentido, essência.
Jimi, Janis e Jim escolheram suas existências, seus projetos. Recusaram o comum, o banal. “Desafinaram o coro dos contentes”.
Entendo, assim devem ser nossas vidas, marcadas por aquilo que escolhemos que quisemos. Viver sem ressentimentos ou rancores, belamente ilustrados na obra “Assim Falava Zaratustra” de Nietzsche, cuja obra martelou esses propósitos diminutivos.
Eis a vida, eis o homem, eis o tédio. O tempo-tédio nos mata. Não por opção, pela falta dela.
Medíocres de todo o mundo: ainda há chance. Revejam a vida e seus pseudo-valores. Leiam. Pensem. Enfrentem, corajosamente, suas limitações. Não responsabilizem aos outros. Vejam suas falhas, erros e faltas.
Uma longa, chata, plana vida, sem surpresas do acaso, sem a aposta do lance de dados, é muito pior do que uma vida curta e plena.