Waine de Fátim

A busca

A busca

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Publicada há 9 anos

  Mario Quintana disse: “Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.” Belas e sábias palavras. A loucura está expressa a cada canto desse mundo. Muitos encontram-se infelizes porque nem sequer enxergam o que tem.


  Com tanta tecnologia onde expomos nossas vidas, que apresenta o que temos e até o que não temos, olhares fixam no outro e passam a não se enxergarem mais, esquecem de reparar ao seu entorno e as riquezas que aí se encontram.


  A Filosofia descreve que o conhecimento se dava com a observação do objeto. Colocava-se diante de um objeto, observava-o e descrevia-o, e eis que se construía o conhecimento. Esse método foi adotado por séculos, inclusive na educação. E os resquícios dessa época apresenta-se no comportamento humano ainda hoje. Ao observar o outro o objetivamos, é um objeto envolto a outros objetos. Muitos deles são frutos de nossos desejos, a cobiça e a inveja assim se fazem presentes e junto a elas a infelicidade. Nosso olhar não é puro, ele atribui valores de julgamento e avalia o tempo todo. Reconheço no outro tudo o que almejo e esqueço de minhas posses e de seus valores para minha felicidade.


  Assim a loucura se instaura e nos tira de nós. A cobiça nos cega, nos deixa vulnerável, por vezes inconformados, criando uma redoma impenetrável deixando distante de nós o que nos cerca. Somos engolidos por um olhar coisificado, materializado.


  Temos que voltar a olhar o outro como pessoa e não como posses, ao enxergar o ser dessa forma passaremos a nos enxergar e a enxergar nossa vida. E passaremos a dar valor naquilo que realmente importa restaurando nossa sanidade. Que possamos olhar e não simplesmente ver.


  Em busca da felicidade podemos olhar e incorporar as palavras de dois sábios. “Eis que tu estavas dentro de mim e eu te procuravas do lado de fora” dizia Santo Agostinho em relação a felicidade. “Os homens devem cuidar não de suas riquezas, nem de suas honras, mas de si mesmo e de sua alma”. Sócrates. Receitas fáceis para não nos tornarmos loucos em não enxergar o que possuímos, mesmo que seja pouco, pois este pouco e tudo  o que temos e precisamos para viver.

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