LUTO
Célia Mafra é sepultada sob forte comoção
Célia Mafra é sepultada sob forte comoção
Fundadora da ADVF sempre foi uma mulher ousada, determinada e que batalhava pela inclusão social de pessoas com deficiência
Fundadora da ADVF sempre foi uma mulher ousada, determinada e que batalhava pela inclusão social de pessoas com deficiência

Célia lutou bravamente pela inclusão social dos deficientes
Por Josanie Branco
Tristeza, dor e comoção marcaram a despedida de Célia Fontes Mafra, sepultada na manhã de ontem (19), em Fernandópolis. Muitos familiares, amigos e admiradores do seu trabalho fizeram questão de dar o adeus à mulher que se tornou conhecida e respeitada como a maior defensora da igualdade de direitos aos deficientes na cidade e região, e que vítima de um enfarto fulminante, faleceu na tarde do último domingo.
A notícia sobre a morte súbita de Célia causou consternação e muitos amigos fizeram questão de falar sobre sua grandeza como ser humano. “Célia e eu trabalhamos juntos, na época, ela no Conselho Tutelar. Uma excepcional profissional. Estou muito triste, consternado, pois convivi com ela noites e madrugadas, junto com demais conselheiros tutelares, num trabalho difícil e ao mesmo tempo enriquecedor. Meus profundos sentimentos. Meu adeus singelo a uma amiga e companheira que respeitava muito. Que Deus a tenha. Uma guerreira que sempre trabalhou pelo próximo”, escreveu o juiz Evandro Pelarin.
“Não tenho como descrever a dimensão da minha dor. Foram sete anos de amizade, cumplicidade, parceria, amor incondicional, os quais aprendi muito com ela, que muito me ajudou a aperfeiçoar coisas das quais nem eu sabia que existia em mim. Nós nos conhecíamos pelo olhar, pela respiração, pelos gestos e nem precisavam palavras. A Célia sempre será minha inspiração, meu exemplo de mulher, fé, esperança, amor ao próximo, amizade verdadeira e incondicional e infinitas qualidades as quais são indescritíveis. Que o senhor nosso Deus na receba na glória”, disse emocionada a amiga Márcia Bomfim, assistente administrativo da ADVF.
“Não estamos preparados para aceitar e entender a morte, que nada mais é do que um processo de transição e evolução espiritual, mas mesmo assim torna-se difícil aceitá-la!A espiritualidade já estava de plantão pra receber você minha outra mãezona Célia. Obrigado por tudo”, descreveu o conselheiro tutelar Alan Mateus.
Célia, que era viúva há menos de dois anos, deixou três filhos Natália, Ana Clara e o jovem Gustavo, deficiente visual que foi a grande causa de sua incansável luta em defesa das pessoas com deficiência.

Muitos familiares, amigos e admiradores foram se despedir de Célia e prestar condolências à família
Respeito, direitos, oportunidades, inclusão social… A luta contínua de Célia Mafra na ADVF
Aos 50 anos, Célia Mafra sempre foi uma mulher ousada, determinada e que falava com profunda tristeza da discriminação e desrespeitado com que os deficientes ainda são tratados por parte da sociedade.
Há 16 anos, ela e seu esposo Ademir Mafra (in memória) se reuniram com um grupo de voluntários e juntos fundaram a ADVF (Associação dos Deficientes Visuais de Fernandópolis), desde então ela viveu todos os seus dias lutando por essa importante causa: que é a garantia dos direitos aos deficientes visuais e a inclusão social.
A entidade fundada por Célia foi crescendo ao longo dos anos, conquistando novos assistidos, apoiadores e incentivadores. Hoje a ADVF conta com diversas oficinas, aulas de Braille, apoio pedagógico para os assistidos que frequentam a faculdade e o ensino regular, aulas de música, canto e coral e aulas de informática com equipamentos específicos para deficientes visuais. Além do esporte para deficientes: judô, atletismo, hidroginástica, aulas de dança e academia e o acompanhamento médico e social. Hoje, a entidade atende 49 assistidos diretos e 60 indiretos, um total de 129 deficientes beneficiados com os trabalhos da ADVF. Como atual coordenadora de projetos da Associação, Célia viajava constantemente para a capital paulista e federal em busca de recursos e apoio para manter os trabalhos e, desta forma, desenvolver novos projetos com seus assistidos. Mafra também atuou como conselheira tutelar por duas gestões, sendo presidente do Conselho e era presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. Dentre suas conquistas, Célia foi a idealizadora do projeto da Lei dos Cardápios em Braille, bem como do Braille nos elevadores e da “Multa Moral” - um projeto de conscientização, no qual as vagas reservadas para pessoas com deficiência não devem ser utilizadas por pessoas sem autorização.
Com o legado deixado por Célia Mafra e baseado nos seus anseios e sonhos, a ADVF continuará firme nos seus trabalhos, atuando a cada dia pela defesa dos direitos de igualdade da pessoa com deficiência e inclusão social.