Carlos Eduardo

Casinha Branca

Casinha Branca

Por Carlos Eduardo Maia De Oliveira - Professor e Biólogo

Por Carlos Eduardo Maia De Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 9 anos

Eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, para ver o sol nascer” (trecho da música Casinha Branca, composta por Gilson Vieira da Silva e Joran, em 1976).


Ah! A vida simples, com hábitos simples, vivida no campo ou talvez em uma pequena cidade aprazível do interior, em uma casinha branca avarandada - como preconizado na letra desta música - sempre nos remete a um estado de paz e felicidade, em um lugar onde as pessoas se cumprimentam pelo nome, a interação social é maior, o ar é puro, a tranquilidade reina e o silêncio nos permite que escutemos as brisas mais suaves - viver em lugar assim não tem preço.


O segredo da felicidade deste estilo de vida reside em sua simplicidade, em contraste com uma vida atribulada que muitas pessoas levam hoje em dia, cheia de preocupações, com agendas cheias, que mina as energias e até mesmo a saúde, que afasta do convívio daqueles que nos são caros – nossos familiares. Os pais hoje em dia, ao levarem uma vida atribulada, não possuem tempo para acompanhar plenamente o desenvolvimento de seus filhos durante a infância, perdendo uma experiência fantástica e que não volta jamais.


Nossos avós, pais e parentes mais velhos, talvez, tiveram a oportunidade de levar uma vida assim, pelo menos na infância ou juventude, e não é difícil encontrarmos pessoas que lembram com profunda saudade e nostalgia desta vida tranquila.

Existem algumas páginas nas redes sociais que enaltecem a vida simples, como por exemplo, no campo, com imagens que remetem a sua lembrança, com biscoitos de polvilho saindo quentinhos de um forno de barro, ou aquele franguinho caipira com milho verde sendo preparado no fogão à lenha, um amanhecer no sítio, com um galo a cantar no alvorecer, o gorjear dos passarinhos, o gado sendo recolhido no curral e o homem do campo, sem pressa, ordenhando as vacas.


A história evolutiva do ser humano explica a nossa preferência por um estilo de vida tranquilo, pois durante milhares de anos o homem viveu em pleno contato com a natureza, que sempre nos inspira e nos transmite paz, gostamos de jardins com belos gramados, que também nos remetem a paz e a tranquilidade, porque estes lembram a relva da savana africana (que apresenta extensos campos gramados e árvores esparsas), onde surgiram e evoluíram nossos mais antigos ancestrais, e apreciamos uma vida pacata, pois passávamos a maior parte do tempo descansando entre uma caçada e outra. De qualquer forma, ao apreciarmos esta vida simples, além do seu sentido poético, estamos reagindo aos nossos mais primitivos instintos.


Vamos elencar alguns benefícios de uma vida mais simples, seja no campo, seja em uma cidade aprazível: tempo para seus entes queridos, favorecimento à saúde, interação mais estreita com a natureza, visão mais frequente do nascer e do pôr do sol, disponibilidade de mais tempo para ver o próprio tempo passar e, algo muito caro hoje em dia, sentir paz de espírito.


Por tudo isso, desejo que todos que me leem agora, um dia encontrem a sua casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, para ver o sol nascer.


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