O 'NEGOCIADOR'

'Momentos de tensão, mas com Deus no controle da situação'

'Momentos de tensão, mas com Deus no controle da situação'

Publicada há 9 anos


 



Registro da chegada de Fernando Cesar de Paula na loja das Casas Bahia: “Aparato e experiência dos policiais militares foram fundamentais durante a negociação”, ressaltou o promotor



Por João Leonel


O promotor Fernando Cesar de Paula, da 1ª Promotoria de Justiça, que atua em processos da 2ª Vara Criminal da Comarca de Fernandópolis, vivenciou uma situação de risco que jamais havia imaginado na manhã de ontem. Horas depois, ele fez um relato detalhado à Reportagem de “O Extra.net”, em seu gabinete de trabalho, no Fórum, sobre sua participação como negociador durante o assalto com reféns nas Casas Bahia, confira: “Eu estava em casa quando a PM ligou me procurando, na Promotoria. Em seguida, me ligaram no celular, dizendo do assalto, dos vários reféns, e o mais grave, que uma refém era mantida sob a mira de um revólver e que o assaltante exigia a presença de um promotor. Eu disse que iria. Os policiais militares já estavam há algum tempo em negociação quando cheguei ao local. Coloquei o colete (à prova de bala) e me preparei, confesso que estava tranquilo, muito também pelo aparato da Polícia Militar. Quando entrei, o assaltante estava no fundo da loja, ao lado de uma sala, onde havia 12 ou 13 pessoas, todas mantidas como reféns. Uma mulher era seu ‘escudo’, estava a sua frente, e ele tinha uma arma apontada para a cabeça dela. Me posicionei entre dois policiais, que já vinham negociando com o assaltante por uma hora aproximadamente. Primeiro, ele pediu a garantia de sua integridade física, e depois perguntou sobre as consequências de seus atos, por quais crimes ele iria responder. Em seguida, pediu também que fosse levado para a Cadeia Pública de Cuiabá, onde vive sua família. Eu disse que o crime pelo qual responderia seria de roubo, mas ele argumentou: “não estou levando nada”. Então falei que esse fato já era positivo para ele, e seria ainda melhor se ele não usasse de violência contra aquelas pessoas. Sobre onde ele seria mantido preso, disse que teria que ficar um tempo em algum CDP de nossa região. Ele contou que estava cumprindo o semiaberto, que tinha acabado de sair do regime fechado. Respondi que era difícil falar sobre sua situação processual, ou mesmo prisional, sem analisar as acusações contra ele. Foi aí que ele começou a liberar os reféns. Mantivemos uma conversa tranquila, em bom tom, por cerca de 50 minutos. A negociação estava um pouco mais truculenta antes, mas quando o pedido dele foi atendido pelos policiais, com a minha chegada, que ele mesmo havia exigido, os ânimos se acalmaram. Os reféns, que estavam muito abalados, sob forte comoção, uma moça chegou a passar mal até, foram libertados, um a um. Ele perguntou como seria para se entregar. O policial Shiroma disse para ele colocar a arma no chão e que a empurrasse para fora de seu alcance. Shiroma continuou e falou para ele soltar a moça e se deitar no chão, e que ele seria revistado e algemado. Esse seria o procedimento. O assaltante concordou, mas pediu para que eu o acompanhasse até a Delegacia, e eu concordei. E foi assim que tudo ocorreu, sem nenhuma intercorrência, nenhuma anormalidade. Todos os dias quando acordo, oro, sou evangélico, esse é meu hábito há muito tempo. Sei que Deus está no comando, tinha certeza que Deus iria providenciar o livramento para aquela situação, muito tensa”.

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