
Reparou que de uns tempos para cá os jornais, TVs, rádios e até a Internet tem aberto espaços generosos sobre os anos sessenta, os chamados “anos dourados”? Parece que existe no ar ‘um certo saudosismo’ na maioria das pessoas. Até os bem mais jovens, curtem os anos 60. Parece que há uma vontade de resgatar valores de um tempo que não volta, que não existe mais, mas está muito bem vivo na lembrança de muitos de nós. Quem viveu aqueles anos, quem é do Tempo do Botinão, deve se lembrar de muitas coisas boas. Como foram encantadores os velhos e bons tempos.
Mergulhando no túnel do tempo, aqui no Brasil, por exemplo, vimos o início das carreiras de Gal e Bethania, Rita Lee (com Os Mutantes), Ivan Lins, Jair Rodrigues, Roberto Carlos e a Jovem Guarda e a Pimentinha Elis Regina. Claro, tinha também o Tom Jobim, Dick Farney,Vinícius, Toquinho e Maria Creuza. Já o Chico, Caetano e Gil, depois de infelizes posicionamentos políticos e mamatas em cima da Lei Rouanet, ficam de fora, estão riscados do meu caderninho. Mas esqueçamos de vez os “espertos” e canalhas e vamos adiante. Tinha a linda e ousada Leila Diniz, desfilando seu lindo barrigão na praia de Ipanema e jogando conversa fora com Helô Pinheiro e o poetinha Vinicius de Moraes. Lembra do IbrahinSued, Carlos Imperial, as novelas da TV Paulista Canal 5, da TV Excelsior, da TV Tupi, os pares românticos: Carlos Alberto e Yoná Magalhães, Tarcísio Meira e Glória Menezes, John Herbert e Eva Wilma? Lembra também do Repórter Esso, com aquele vozeirão de locutor de FM do Eron Domingues?
Será que você ainda se recorda do Demétrius? E da baixinha Nara Leão, da Maysa, Silvio Caldas e a Leny Everson? Tinha o Agnaldo Rayol, que cantava como um rouxinol e o outro Agnaldo, o Timóteo, que nos encantoucom os Verdes Campos da Minha Terra, Havia ainda os Cantores de Ébano, Cyro Monteiro, o Trio Ternura, os Golden Boys, Os Vips ealegria gostosa de Renato e seus Blue Caps, Mas melhor eram os Incríveis, os Festivais da Excelsior, da Record e o Festival da Canção. Claro que você sabe quem foi Sergio Mendes e o baita sucesso que ele fez lá nos EUA. E também se recorda do Festival de San Remo, da Cançone Per Te e de Ciao, Amore Ciao, do Luigi Tenco, que por causa da Dálida que tanto amava, fez uma grande bobagem. O auge da Bossa Nova e o João Gilberto. A buzina do Chacrinha, o animador Flávio Cavalcante e seu “Por favor, um instante Maestro? E do cabelo Black-powerdoTony Tornado e a sua famosa BR-3. Ângela Maria, Elza Soares, Cauby Peixoto e a sua eterna Conceição; A Patota d’O Pasquim, com o Jaguar, Millôr, Ziraldo, Tarso de Castro, Paulo Francis, Henfil & Cia. Por acaso chegou pegar o tempo do FeBeaPa, do Sérgio Porto, vulgo Stanislaw Ponte Preta? E as tiradas do O Amigo da Onça...
Nas telonas do cinema, em cinemascope, os filmes Brasileiros do Mazzaropi, do Grande Otelo e do Oscarito. E os filmes de terror do Zé do Caixão? Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, Glauber Rocha inventou o Cinema Novo: fez o premiado O Pagador de Promessas e depois, Todas as Mulheres do Mundo, Terra em Transe. E por acaso, você viu Odete Lara, em Toda Nudez Será Castigada?
Desde esse tempo eu torço pelo Palmeiras, de Valdir Joaquim de Moraes, Djalma Santos, Minuca, Djalma Dias, Ferrari, Dudu e Ademir da Guia, Servilho, Tupãzinho, Adhemar Pantera e Rinaldo. Tenho saudades daqueles tempos quando o futebol era uma dança, um samba com a bola no pé, como dançaram os campeões de 58, 62 e de 70. Depois foi ficando chato. Muito Zé começou achar que era Pelé.
Dando um giro pelo mundo, foi nessa época que surgiram Elvis, Rolling Stones, The Beatles, Bob Dylan, Ray Charles, Charles Aznavour, Gilbert Bécaud, Sergio Endrigo, Simon & Garfunkel, Jimmy Hendrix, GigliolaCinquetti, John Denver, Stevie Wonder, Rita Pavone, Domenico Modugno, Maurice Chevalier, FrancoiseHardy. A mocinha Janis Joplin, a bela e descabelada gata da voz rouca, virou símbolo da contracultura na música. Salve Woodstock!
Mocinho ainda, eu me apaixonei por Jane Fonda em Barbarella, torci muito por Lawrence da Arábia, e senti um nó no coração vendo Doutor Jivago. O futuro que parecia longe, chegava voando com o emblemático 2001, Uma Odisséia no Espaço. Sean Connery, o eterno James Bond, colocava Magaiwer no chinelo. Nunca entendi Teorema e fiquei intrigado com O Bebê de Rosemary. Não vi todos os filmes do François Truffaut e do Jean-Luc Godard, mas gostei muito de Marcelino, Pão e Vinho, Essa Rua é Nossa e a Guerra dos Botões. Eu amava os Filmes da Disney.
Era Uma Vez No Oeste e os outros filmes do Sergio Leone, com o Clint Eastwood e o Lee Van Cleef, Como me encantei com A Bela da Tarde, com a exuberante e misteriosa Catherine Deneuve. Juro de pés juntos que me encantei com O Horizonte Perdido, com aquela linda trilha sonora do Burt Bacharach. Esse filme eu vi umas cinco vezes, e depois queria me mudar de mala e cuia prá Shangri-lá e virar amigo do Grande Lama..A Noviça Rebelde, West Side Story e My Fair Lady.Marilyn Monroe em O Pecado Mora Ao Lado. Bons tempos aqueles. Minha geração teve muita sorte.
E as séries de TV? Aposto que você deve se lembrar de O Agente 86, O Agente da U.N.C.L.E., Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo, Viagem ao Fundo do Mar, a imortal Jornada nas Estrelas (Star Wars). Bonanza, O Homem de Virgínia, Rin-TIn-Tin, Lassie, A Feiticeira, Jeanie é um Gênio, acho que não dá pra esquecer. Nunca, mas nunca mesmo.
E os primeiros desenhos do Pica-Pau, do Pernalonga e sua Turma, só bastavaligar e esperar uns bons minutos pra TV a válvulas esquentar e a imagem ficar boa. Depois teve Manda-Chuva, Tom e Jerry, os Flintstones, Os Jetsons, Jambo e Ruivão, Dom Pixote, Pepe Legal, Olho Vivo e Faro Fino, Zé Colmeia e Catatau, Gasparzinho, Popeye e sua amada Olivia Palito.
Foi nessa época que a inglesa Mary Quant criou a minisaia, começou o auge do biquini, da “helanca”, das camisas Volta-ao-mundo, dos cobertores Parahyba (“já é hora de dormir…”), dos Lençóis Santista, das blusas de Ban-Lon e dos óculos Ray-Ban, em molduras folheadas a ouro da Bauch&Lomb,com garantia de 20 anos. Foi a era de ouro do tênis Conga e do sapato Vulcabrás 752, vai dizer que você nunca teve um? E da famosa calça Lee, americana importada, daquelas trazidas por baixo do pano por 40 dólares?.
Para o cabelo, Brilcream, Glostora ou Gumex. Para a beleza delas, Max Factor e Avon, DeMillus e Valisére. Para nós, Lancaster, Rastro e Sândalo. Nos dias de calorão, para refrescar, tinha Crush, Grapette e Cerejinha, além do Guaraná Caçula, da Sodinha Ferrari e da Tubaina, da Coca e da Pepsi. E prá acabar com o amarelão e ganhar “muque”, tome Biotônico Fontoura, Emulsão de Scott, Calcigenol, Run Creosotado, Pílula de Vida do Dr. Ross, pílulas de Óleo de Rícino e a pomada Minâncora, que era ótima contra espinhas e cravos. Prá tirar calo, nada como Curitibina. No escurinho do cinema, balas Pipper, Chita ou Drops Dulcora. Na rua, morro abaixo, carrinho de rolemã. Nas férias jogos de bolinhas de gude, pião, salva-pegas, gringalha, rico-trico, bicicleta, futebol, banho de rio, e todo mundo prá cama depois das nove. Podíamos andar pela calçada sem olhar pra trás. Nossa! Que vidão, heim? A gente era feliz e sabia sim. Semana que vem tem mais. Até lá.