Waine de Fátim

Vozes que gritam

Vozes que gritam

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Publicada há 9 anos

Indignação, insegurança, insatisfação.

Prefixos são morfemas (partículas da palavra) que se colocam antes do radical a fim de modificar -lhe o sentido. In é um prefixo latino que indica negação. Na atual situação, podemos nomear este prefixo como “a onda da vez”. E para nós educadores é mais agravante. A incerteza do nosso futuro e dos nossos alunos nos assola dia a dia.

Instabilidade constante, como um ciclo sem fim, entre ano, sai ano, não existe uma única vez que, nós professores, passamos tranquilos o término de um ano. Como um presente de mau agouro, o início do fim do ano vem com “agradáveis” mudanças que nos coloca em xeque. E assim caminha a humanidade.

Não vamos reclamar do que vem, mas vamos reivindicar que os direitos e deveres sejam igualitários. Trabalhamos no mínimo por 25 anos, estudamos por pelo menos quatro anos para exercer nossa profissão. Enquanto que, representantes do governo necessitam apenas saber assinar seu nome para exercer um cargo público, outros trabalham por apenas oito anos para se aposentarem e com um salário que um educador tem que trabalhar por dez meses para receber o mesmo.

E a descrença de nossos educandos, que por vezes querem tirar vantagem de tudo. O discurso kantiniano é presença constante nas aulas: se nossas ações puderem ser universalizadas, sem que prejudique o próximo, então ela é moralmente correta. Mas como ser correto quando nossos maiores exemplos é a crescente corrupção que permeia nossos lares pela mídia. Como lutar contra a impunidade estampada nas telas e as vantagens de seguir esse caminho. É uma competição desleal, somos poucos para muitos.

Para que estudar? Se tenho a habilidade da comunicação, invisto na política. Se tenho habilidades motoras, parto para o futebol. Se tenho um corpo voluptuoso, nem preciso de voz para me tornar cantor ou cantora. Para quê exercitar meu cérebro, isso me levará à uma vida simples, com restrições e muito trabalho.

Sonho com o dia em que nos libertaremos dos grilhões de um povo colonizado e, realmente, amemos nossa pátria como nosso lar do qual devemos cuidar, zelar e assim deixar soar o brado retumbante de um país de cara limpa, não somente no rio Ipiranga, mas no Rio Grande, Rio Tietê, no Velho Chico, Rio Paraná, em toda essa água que banha nossas terras e que leve em sua correnteza tudo o que não nos serve.

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