Jacqueline Ruiz

Acerca da política e das responsabilidades

Acerca da política e das responsabilidades

Por Jacqueline Ruiz Paggioro - Professora

Por Jacqueline Ruiz Paggioro - Professora

Publicada há 9 anos

Hápouco mais de quinhentos anos, quando os portugueses aportaram em nessa terracomeça a história de dominação e exploração de uma elite, a princípio chamadade “homens bons”, que orienta as relações políticas de nossa Terra Brasilis.Nesses cinco séculos, sem muita diferença do restante do planeta, muitostrabalharam para enriquecer poucos. Durante quatro séculos, o trabalho escravo,inicialmente, dos índios e, posteriormente, dos africanos sustentaram a riquezadas elites. 

Pormuito tempo nos fizeram acreditar que isso era por obra e vontade de Deus ouque é assim mesmo que as coisas funcionam. Mero embuste. Tivemos muitas guerrase revoltas contra a exploração. Revolta dos Beckman, Guerra dos Emboabas,Guerra dos Mascates, Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana, exemplos clarosda luta contra a opressão de um sistema que explorou e expropriou nossa terra enossa gente. Ainda tivemos a resistência, inicialmente dos donos da terra, apopulação indígena: Guerra dos Aimorés e dos Tupinambás; e, posteriormente dos africanosescravizados: Malês e Palmares. Com o Império não foi muito diferente: Balaiada,Cabanagem, Sabinada, Farrapos. Oposição e lutas tiveram como resposta arepressão através da força e do poderio das armas.


Findoo domínio português. Viramos Republica! Mudaram as moscas. Em resposta maisinsurreições: Revoltas Armadas, Canudos, Chibata, Contestado, Cangaço. Novidadetrazida pelos anarquistas e socialistas imigrantes: greve. E dá-lhe coibiçãonovamente. O Tenentismo e posteriormente a Coluna Prestes conseguiram escaparda repressão através do gênio militar do Cavaleiro da Esperança: Luis CarlosPrestes. Ditadura. Mais resistência, tanto intelectual e política quantoarmada. Entre períodos democráticos intercalados por autoritarismo a brevehistória da República Brasileira é marcada pela obstinação em resistir. 


Aberturapolítica, redemocratização, anistia. Eleições diretas. Nossa maior rebeldia:eleger nossos representantes, votar!


Perdoem-mea abreviada explanação acerca de cinco séculos de nossa recente história.Muitos poderão dizer que é equivocada, eu diria que é apenas sintética. Porémresolvi elencar alguns fatos para esclarecer que nossa história é feita deresistência e resiliência sim! Não somos um povo pacato e conformado, nem podemossê-lo.  Devemos lembrar sempre que muitoslutaram e morreram por ideais de igualdade e justiça para todos. E lutaram emorreram porque alguns poucos que não gostariam de ver esses ideais se tornaremreais.


Aexploração, a corrupção e as regalias para alguns não devem mais ter espaço napolítica. Precisamos cobrar nossos direitos sem aceitar favores, pois isso éprivilégio. Devemos fazer o que é nosso dever. O voto é uma arma poderosa, nãodeve ser moeda de barganha. E ele deve valer para um projeto político para a olocal em que vivemos, para a nação. Portanto, nossa responsabilidade não terminaquando apertamos a tecla verde da urna para confirmar. Ela apenas se inicia!

 

O Analfabeto Político

 

O pior analfabeto é oanalfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentospolíticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, dafarinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político étão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Nãosabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menorabandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista,pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

 

                                                                                                Bertolt Brecht

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