“I HAVE A DREAM”. Traduzida para o português, essa frase significa “ EU TENHO UM SONHO”, título do emblemático discurso proferido pelo ativista político americano, o pastor Martin Luther King, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington (capital dos Estados Unidos), no dia 28 de agosto de 1963. Na época, o ativista clamou pela união futura entre pessoas brancas e negras, momento que foi decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis. Esse discurso foi eleito um dos maiores da história e também o melhor dos Estados Unidos no século XX.
Como no discurso, também tenho um sonho, ou melhor, vários, e, inspirado por Luther King, gostaria de utilizar este espaço para compartilhá-los.
Tenho um sonho de que, um dia, a Educação seja realmente valorizada pelas pessoas e governantes de meu país, e que os brasileiros tenham consciência de que o investimento em Educação gera oportunidades de crescimento pessoal e profissional na vida e colabora com a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres. Na esteira desse reconhecimento, sonho com o dia em que os profissionais da área da Educação serão reconhecidos pela sociedade e valorizados pelas políticas públicas com salários e planos de carreira dignos.
Tenho um sonho de que, um dia, os estudantes brasileiros figurem entre os primeiros colocados no PISA (sigla inglesa que significa Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), desenvolvido e coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), reconhecido no mundo inteiro, e que avalia estudantes na faixa dos 15 anos, idade que se pressupõe o término da escolaridade básica (Ensino Fundamental no Brasil) obrigatória na maioria dos países.
Tenho um sonho de que, um dia, sintamos orgulho em ver um brasileiro laureado com o prêmio Nobel (a Argentina já tem cinco, inclusive o de Medicina, e o Brasil não tem nenhum) e que este seja fruto de uma política de valorização da pesquisa científica no país, sobretudo a aplicada e voltada à inovação nas diversas áreas do conhecimento.
Tenho um sonho de que os jovens tenham acesso às escolas públicas, gratuitas e com ótima qualidade, e não somente os filhos cujos pais têm condições financeiras para arcar com os custos de uma escola particular que pratica mensalidades caras e inacessíveis à maioria dos brasileiros.
Tenho um sonho de que, um dia, a população pobre terá acesso à saúde pública, gratuita, mais humana e de qualidade, e não somente aquelas pessoas que possuem recursos para pagar uma consulta particular de um renomado médico, ou plano de saúde de uma empresa privada.
Tenho um sonho de que, um dia, o Brasil melhore significativamente sua posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que é uma medida comparativa para classificar os países pelo seu grau de desenvolvimento humano, baseada nos seguintes parâmetros: expectativa de vida ao nascer, anos médios de estudo e anos esperados de escolaridade e Produto Interno Bruto per capita. Este índice é reconhecido pelas Nações Unidas, e países com excelente qualidade de vida, como a Noruega, figuram nas primeiras colocações; em uma lista de 188 países avaliados, o Brasil ficou em 75° lugar no ano de 2015.
Tenho um sonho de que, um dia, vivamos em um país menos violento, justamente porque os jovens tiveram mais oportunidades profissionais ao ter acesso a uma Educação de qualidade, permitindo sua inserção no mercado de trabalho.
Tenho um sonho de que, um dia, vivamos em um país cujas pessoas sejam mais tolerantes, sem discriminações sociais como a misoginia, homofobia, xenofobia e o racismo, e que respeitem, de verdade, a democracia e a liberdade de expressão.
Tenho um sonho de que iniciativas sociais e políticas públicas de combate às drogas logrem êxito, e com isso o consumo caia vertiginosamente em nossa população, e, por consequência, que os índices de violência relacionados, direta ou indiretamente, ao tráfico e ao consumo de drogas também diminuam de forma significativa.
Tenho um sonho de que bons projetos sociais, que priorizem o esporte, a cultura, o lazer e a educação espalhem-se em comunidades carentes em todo o Brasil.
Tenho um sonho de que, um dia, abandonemos o tal “jeitinho brasileiro”, que muitas vezes é um eufemismo para pequenas corrupções.
Tenho um sonho de que, um dia, a desigualdade social diminua neste país e que ocorra uma distribuição de renda mais justa.
Tenho um sonho de que, um dia, em meu país, avistar crianças nas ruas, sem lar e mendigando nos faróis, seja tão raro como encontrar um grande diamante rosa (o mais raro do planeta) no fundo cascalhoso de um rio.
Tenho um sonho de que, um dia, as pessoas priorizem o respeito ao meio ambiente, e o nosso sistema produtivo adote como medida sagrada o desenvolvimento sustentável, respeitando a enorme biodiversidade brasileira, bem como nossos valiosos biomas, como a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga (exclusivo do Brasil) e todos os outros.
Por fim, espero que, um dia, a realidade brasileira se aproxime desses meus sonhos, e, assim, ao fecharmos os olhos pela última vez, deixemos um país melhor e mais justo aos nossos filhos e netos, sonhando sempre para melhorar, como bem ensinou o mestre Martin Luther King.