Atualmente, há consenso de que qualidade de vida e meio ambiente equilibrado são indissociáveis. Por isso, a questão ambiental se constitui em uma das pautas mais importantes na elaboração do plano diretor de qualquer cidade do mundo, principalmente nas chamadas cidades sustentáveis, que são aquelas que adotam uma série de práticas eficientes voltadas à melhoria da qualidade de vida da sua população, desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente. Geralmente, são cidades muito bem planejadas e administradas.
Vamos imaginar uma cidade sustentável que tivesse um porte médio, com 500 quilômetros de ciclovias e, com isso, o número de bicicletas fosse o dobro da quantidade de automóveis, sendo que estes poderiam atingir a velocidade máxima, nas vias públicas, de apenas 30 km por hora. Os motoristas, por sua vez, sempre parariam em todas as faixas para que os pedestres atravessassem a rua. O poder público dessa cidade executaria projetos de mobilidade urbana que priorizassem os pedestres e ciclistas.
O transporte público seria utilizado pela população em detrimento do carro particular e, em cada ponto de ônibus, seria disponibilizado um bicicletário para que o cidadão fizesse seus compromissos e retornasse, pegasse o ônibus e voltasse para casa sem enfrentar desgastantes congestionamentos no trânsito.
Nessa cidade, as casas possuiriam placas solares em seus telhados, fazendo com que a energia armazenada fosse maior do que a consumida. As residências, portanto, funcionariam como verdadeiras usinas de força, e a energia excedente seria repassada à rede pública, resultando em contas mais baixas para os munícipes.
As construções seriam edificadas com vistas ao isolamento térmico, com sacadas projetadas de modo que, no verão, a sombra cobriria a janela, protegendo as casas da forte insolação dessa estação do ano e evitando o acúmulo excessivo de calor – os aparelhos de ar-condicionado (grandes vilões das contas de energia) seriam menos acionados. Nenhum projeto urbanístico seria aprovado pela prefeitura sem cumprir a meta para o uso adequado da energia solar.
Todo o lixo dessa cidade seria objeto de coleta seletiva e com destinação ambientalmente correta; medidores de poluição do ar seriam distribuídos pelas ruas, indicando índice zero de monóxido de carbono (gás venenoso liberado pelo escapamento dos automóveis). A propósito! As vias públicas exibiriam uma arborização urbana bem planejada, com grande quantidade e variedade de plantas.
Pois bem. Essa cidade sustentável existe e seu nome é Freiburg, um município com pouco mais de duzentos mil habitantes, localizado no lado ocidental da Floresta Negra, na Alemanha. É considerada uma das cidades mais sustentáveis do mundo e possui excelentes índices relacionados à qualidade de vida, graças a projetos de mobilidade urbana que priorizam os transportes públicos e a utilização de bicicletas – o centro da cidade, por exemplo, é fechado para os automóveis particulares. Outro projeto de destaque em Freiburg é a utilização eficiente de energia solar nas casas, especialmente no bairro modelo de Vauban, que tem como resultado a diminuição do consumo de energia elétrica nas residências.
Freiburg mostrou ao mundo que não é impossível alcançar a excelência em qualidade ambiental urbana. No entanto, esse sucesso não seria alcançado sem uma mudança de consciência ecológica de seus habitantes, o que possibilitou uma forte integração entre o poder público municipal e a sociedade civil local na execução dos projetos ambientais.
Não há chances de projetos urbanos na área ambiental lograrem êxito sem a conscientização da população, no sentido de que a qualidade do meio ambiente urbano depende de todos – e não somente do poder público. Não adianta reclamar do trânsito congestionado se você não anda dois quarteirões a pé. Não adianta ficar revoltado com os bueiros entupidos (um dos fatores que provocam enchentes nas ruas na época das chuvas torrenciais) se você tem o hábito de jogar lixo nas vias públicas. É inútil reclamar do forte calor da nossa região ou da falta de sombreamento nas ruas se você não planta uma árvore em frente a sua casa, alegando que ela libera folhas na calçada ou encobre a vista da fachada de sua residência. E não adianta se assustar com a falta de água nos períodos de estiagem prolongada se você faz da mangueira de água uma vassoura para varrer a sua calçada e seu quintal. Não adianta reclamar dos outros e do poder público se você não faz a sua parte.
Por fim, quer viver em uma cidade sustentável? Cobre dos governantes a execução de bons projetos ambientais, mas nunca se esqueça de fazer a sua parte, pois é dever de todo cidadão colaborar com a qualidade do meio ambiente urbano, transformando seu município em uma verdadeira cidade sustentável. Miremo-nos no exemplo de Freiburg!