Em um movimentado bistrôparisiense, reuniram-se personagens de vários lugares e épocas. Com o intuito de apenas tomarem uma cerveja e relaxarem. Karl Marx, Dostoievski, Platão, MaxWeber, Raul Seixas, Lutero, entre outros se sentam e logo pedem suas bebidas.Não demora até Karl Marx se queixar.
Marx:
_ Vão se afundar nesse sistema econômico e social maluco, a classe trabalhadora não deveria aceitar tais diferenças e deveriam fazer uma revolução.
Weber:
_Não diga tamanha besteira Marx.Veja como os protestantes estão alcançando o sucesso financeiro.
Marx:
_No mínimo, estão explorando alguém.
Weber:
_Não estão. Apenas estão vendo o trabalho como uma vocação, sem preguiça e sem perder tempo. Não é mesmo Lutero?
Lutero:
_Não é bem assim, eu trabalho porque gosto, mesmo sabendo que não é essa ou outra ocupação que me levará à salvação. Creio em Deus e isso sim me levará à salvação.
Imediatamente, Edir Macedo que se encontrava calado até então, coloca-se de pé e diz em voz alta:
_Irmãos. Eu já penso diferente.Se quiseres a salvação, devem entregar a mim, a oferta.
Weber:
_Para com isso, está fugindo do assunto. Seria interessante uma opinião feminina. Diga a eles Mary Shelley:
Mary Shelley:
_Olha. Não estou muito inspirada.Irei para os Alpes onde penso melhor.
Marx:
_Weber tem razão, voltemos a falar de economia e sociedade. Rousseau, diga o que pensa sobre esta exploração que sofre a classe trabalhadora.
Rousseau:
_Nenhum homem deve possuir autoridade natural sobre seu semelhante.
Edir Macedo:
_No meu caso sim, pois sou um homem de Deus e aquele que entregar a mim sua oferta, terá sua salvação.
Marx:
_ Já chega Edir Macedo. Por que você não vai para o inferno?
Edir Macedo:
_ Vou nada. Manda o Dante Alighieri.
Dante:
_Eu já fui.
Edir Macedo:
_ Então que vá Rimbaud.
Rimbaud:
_ Não acredito no inferno, pois já estou nele.
Durkheim:
_ Esta conversa aviltante vai acabar levando todos ao suicídio. Vamos abordar um assunto mais animado, pois estamos em um bistrô. Peçam outra bebida.
Al Capone:
_ Eu não comprarei mais nada,este bar cobra muito imposto sobre essa bebida. Vou buscar um bom uísque no Canadá.
Dostoievski:
_Pra mim já chega. Sou um homem doente, um homem mau e desagradável. Irei embora, vou procurar um subsolo, onde posso me isolar.
Ulisses:
_ Também irei embora, precisovo ltar à Ítaca.Quero rever minha família.
Don Vito Corleone:
_ Você está certo Ulisses. Pois um homem que não honra sua família, jamais será um homem de verdade.
Platão:
_ Também vou sair. Estamos parecendo animais escondidos em uma caverna. Verei o mundo lá fora.
Durkheim:
_ Você sabe o que ele quis dizer Sócrates?
Sócrates:
_ Só sei que nada sei.
Durkheim:
_ Como assim? É seu discípulo,você tem que saber, fale mais sobre Platão, quero conhecer melhor seus pensamentos.
Sócrates:
_ Caro Durkheim. Quer conhecer Platão. Mas conhece-te a ti mesmo?
Durkheim:
_ Me deixas embaraçado com suas perguntas Sócrates. Você entendeu alguma coisa Beethoven?
_ Beethoven.
_ Beethoven.
Weber:
_Parece que ele não pode ouvi-lo.
Com as saídas de Ulisses,Dostoievski, Platão, Al Capone e Mary Shelley. A conversa parecia chegar ao fim. De fato chegaria.
Em meio a uma forte chuva, todos olham para trás quando ouvem a porta do bar se abrindo e por ela entra um estranho armado com espingarda e sem um pingo de chuva em seu casaco.O que chamou a atenção de Marx.
Marx:
_ Quem é você? E com toda essa chuva, como não se molhou no caminho?
Estranho:
_ Meu nome é Willian Munny doMissouri. Matador de mulheres e crianças. Matei quase tudo que anda ou se arrasta. Não me molhei, pois cheguei num Gran Torino. Mas isso não importa.Deveriam se preocupar com suas vidas. Vocês estão questionando demais o sistema e fui pago para mata-los.
Raul Seixas:
_ Vem, mas demore a chegar, eu te detesto e amo morte, morte, morte que talvez, seja o segredo desta vida.
Com essa ameaça, quase todos correm pelos fundos. Restando apenas Beethoven, que nada havia ouvido e Francis Bacon, que quis saber no que resultaria aquele tumulto. E
É justamente em sua direção que o estranho a quem se denomina Willian Munny se aproxima e diz:
Estranho:
_ Bacon. Por que você não correu?Teve sua chance, agora o matarei.
Bacon:
_ Experimenta.
Foram as últimas cenas vistas por Beethoven antes de também fugir pelos fundos e também as últimas palavras de Bacon.