Graças ao grande acaso, ontem è noite buscava assistir a um filme que me entretece. Felizmente, ao passar pelo Canal Brasil pude rever: “Raul: O início, o Fim e o Meio” de Walter Carvalho. Belo, sensível, comovente, sem apelos sentimentalóides ou moralismos. Raul por inteiro.
Num determinado momento da película há uma entrevista com Paulo Coelho, pseudoescritor, ex-parceiro do baiano genial. Ele nos fala que tudo aquilo preconizado pela dupla não aconteceu. O sonho do “Flower Power” já era. A sociedade alternativa morreu antes de nascer. Muito embora Raul dissesse que a mesma encontrava-se dentro de cada um. Pareceu-me um alento.
Também ontem vi o playboy “new prefeito” de São Paulo travestido de gari. Pronto para “ir à luta” na limpeza da cidade. Mais patético que a “madame” ex-prefeita Marta.
Qual a relação entre uma coisa e a outra?
Estamos às voltas com um populismo ridículo, piorado na medida em que experimentamos o “remérdio” na fórmula original com Jânio e Getúlio, por exemplo. A reprodução genérica é ainda pior.
Ao mesmo tempo, o governador de Minas Gerais “fretou” um helicóptero do poder público daquele Estado usando o erário para “buscar o filhinho doentinho num balneário rico”.
Justificou o ato com a lei! Lindo!
Em Manaus uma rebelião num presídio produziu imagens que nenhum filme trash seria capaz de realizar com tanta maestria e morbidez. Mais uma vez disseram que o sistema carcerário está em crise e que alguma coisa deve ser feita. Sério?
Sai ano, entra ano, a merda é a mesma. Agora nem as moscas se modificam.
Raul dizia que era a “mosca na sopa” que estava a zumbizar e que deveria continuar a sê-la.
Pois é, sua morte ceifou-nos do privilégio de seu zumbido.
Talvez o “maluco beleza” tenha razão! A Sociedade Alternativa está dentro de nós.
Então: Toca Rauuuuuuuuuuuuuulllllllllllllllllllllllllllllllllll !