José Renato Se

That’s Rock and Roll

That’s Rock and Roll

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 9 anos

Semana passada lembrei o grande Raul Seixas. Novamente volto a ele. Em seu último álbum- “Panela do Diabo” -, gravado com Marcelo Nova, canta “... Uns dizem que ele é chato, outros dizem que é banal. Já o colocam em propaganda, fundo de comercial... Mas o fato é o que “bicho” ainda entorta minha coluna cervical...”.

Óbvio, falam do Rock and Roll ou simplesmente rock.

O que significa?

O disco foi gravado em 1989, pré “Era Collor”. Faz tempo. Todavia há uma temática contemporânea muito forte. O que foi feito do rock?

Quando os estudantes perguntam: - Professor que tipo de música o senhor gosta? Invariavelmente respondo: Blues, Jazz e Música Erudita. Alguns replicam: - Não gosta de rock? Certamente por causa de meu estereotipo. A eles respondo: Depende do que chamam de rock!

Explico: Rock and Roll era a nominação de um ritmo nascido do Blues e do Jazz, da eletrificação do Blues rural e acústico na velha Chicago. Num primeiro momento tínhamos o rythm and blues. A aceleração dos compassos deu à luz ao rock and roll, gíria dos negros se referindo a relações sexuais.

Pois bem, os anos cinquenta foram o manancial dos primeiros ícones desse ritmo. Trazia consigo a transgressão, a revolta.

Enfim, nos sessenta houve o acréscimo dos britânicos, ungidos pelo Blues. Esse néctar de volta aos Estados Unidos fez nascerem novas bandas e gênios.

Importante retomar o conceito frankfurtiano de “Indústria Cultural”. Lentamente, a transgressão e a rebeldia começam a se travestir em grife. O capitalismo descobriu a “música jovem”. Basta lembrar o simulacro que se transformou Elvis Presley. Os integrantes do “The Doors”, exceto Jim Morrison, venderam os direitos de um de seus hits “Light my Fire” para propaganda. Fato que provocou a ira do “Rei Lagarto”.

O Festival de Woodstock virou filme e discos triplo e duplo. Um documentário bem posterior mostra seus antigos organizadores, carecas, barrigudos e ricos, zombando das crenças do passado, porém atentos aos negócios.

Tudo isso me veio à cabeça em razão de uma novelinha da Rede Globo nominada “Rock Story”. A temática bem clichê: astro em aparente decadência vê playboyzinho alçar voos à custa de sua dor, mais empresário inescrupuloso (parece pleonasmo vicioso), mocinhas, filhinhas e por aí vai. Lógico, certamente, tudo acabará bem e o amor vencerá. Babaquice!

Todavia, não é a novelinha meu interesse. A saber: há passagens nas quais, um novo grupelho de playboys que ensaiam. Adivinhe o que? Rock. O mais patético é o que nominam como tal. Baladinhas babacas, ritmo pop. Sem transgressão, sem rebeldia, sem Teogonia, como diria o querido Drumonnd.

Por que tudo isso?

Lembram-se do velho Raul citado acima? Tinha razão ou não?

Estou errado em perguntar aos estudantes o que chamam de rock?

Pois é... Minha coluna cervical não se entorta há tempos.

últimas