Carlos Eduardo

A balança de nossas vidas

A balança de nossas vidas

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 8 anos

"Ando devagar porque já tive pressa, e levo esse sorriso, porque já chorei demais, hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe, só levo a certeza, de que muito pouco eu sei, ou nada sei...” (trecho da canção “Tocando em Frente”, composta por Almir Sater em parceria com Renato Teixeira).


Há momentos para tudo nessa vida; momentos para errar; momentos para acertar; momentos para chorar; para sorrir; para ousar; para se precaver; há momentos tristes, mas também há aqueles alegres; há tempo para nos iludirmos, mas também para a lucidez.


Nessa perspectiva, as nossas vidas se assemelham a uma balança antiga de dois pratos, que pende para um lado e para outro, dependendo de onde estará o maior peso. Em busca de nossos objetivos, geralmente em tenra idade, corremos, inquietamo-nos, choramos e revoltamo-nos frente às nossas dificuldades e frustrações. Temos pressa para “vencer” e, com isso, passamos a ter sede por conhecimento, esquecendo-nos de buscar sabedoria.


Sede pelo sucesso, buscando o reconhecimento alheio, mas nos esquecendo da nossa necessária autovalorização. Sede pelos ganhos materiais, em detrimento de um bem precioso, que é o nosso tempo. E quando alcançamos essas“conquistas”, perdemos, sem perceber, algo tão importante quanto o tempo para nossa família e amigos – a paz.


Nessa fase, o peso maior, na balança de nossas vidas, pende para o lado das ilusões. Com o corpo marcado e, cansados de tanto sofrer, passamos a andar devagar, ou seja, passamos a valorizar o que realmente deve ser valorizado: nosso tempo, a família,os amigos, os filhos pequenos – se ainda estiverem pequenos. Passamos a observar mais a natureza e a admirar sua formidável beleza, impagável e, ao mesmo tempo, gratuita.


Passamos a sorrir mais de coisas que, outrora, achávamos tolas e, hoje, nos enche o coração de alegria. Nesse momento, na balança de nossas vidas, o peso se desloca do prato das ilusões para o da lucidez. Passamos a ter a lucidez da nossa finitude nessa vida e, com isso, a nos aborrecermos menos com coisas pequenas. 


Passamos a ser mais tolerantes com os nossos próprios limites e, com isso, sofremos menos. Revemos os nossos conceitos, diminuindo as nossas inflexibilidades de opinião. Passamos a buscar menos conhecimento e mais sabedoria, por isso, prestamos mais atenção no que dizem nossos familiares e amigos da terceira idade que levaram uma vida exemplar – admiramos suas experiências, ensinamentos e lembranças antigas das nossas famílias e comunidade. 


Passamos a buscar menos o reconhecimento de nossos pares e mais a nos auto valorizar, melhorando, de forma equilibrada, a nossa autoestima. Talvez por isso, passamos a sentir, com mais facilidade, satisfação em nossas pequenas realizações.


Como na letra da canção, mudamos nosso comportamento, passamos a andar devagar, pois a solução não veio com a pressa; a sorrir mais, pois cansamos de chorar; sentimo-nos mais felizes, mais fortes, quem sabe, e reconhecemos que, mais importante do que o conhecimento que julgamos ter, é a sabedoria que podemos ter.


Ao adquirirmos essa consciência, deslocamos, definitivamente, o peso maior do prato das ilusões para o da lucidez na balança de nossas vidas.


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