José Renato Se

Quel est le mot ?

Quel est le mot ?

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 8 anos

O título está propositalmente em francês. Explico: a palavra quer verbalizada, escrita, em qualquer forma de linguagem, ganha várias conotações, sentidos, intencionalidades. seu uso se dá de acordo com o interesse e a conotação que se pretende atribuir a uma suposta verdade. Reporto-me a Nietzsche em seu belo ensaio, publicado como uma das “Considerações Intempestivas”, nominado “Verdade e Mentira no sentido Extra-Moral”, no qual o filósofo  nos mostra que tais conceitos, ou quaisquer outros são apenas códigos criados para tornar possível uma convivência, essa, evidente, ocorre na medida em que todos aceitem conviver com uma moral de rebanho, baseada na aceitação e domesticação. 


Em suma, numa vida conformada. Para isso, os termos citados possuem um peso fundamental. Dessa maneira penso e concordo. Pautado nessa temática, me

pus a pensar nos últimos acontecimentos: parece-me sintomático que o “Fórum de Davos”, reunião dos mais afortunados do planeta, numa bela região da suíça, sempre em defesa do capitalismo, propõe nesse ano uma discussão acerca de resultados até então ignorados pela riqueza: exclusão e violência decorrente dessa, bem-estar social, garantia de renda aos trabalhadores, enfim, qualidade de vida. Óbvio, é um caminho natural, no sentido de apenas constatarem que

o monstro que geraram não poderia continuar parindo suas aberrações costumeiras. simultaneamente, quando ouvimos discursos semelhantes no Brasil as palavras ganham outra conotação, outro sentido, outra intencionalidade. 


Exemplos existem aos montes: a falência do sistema carcerário, nossa exclusão interna, o anacronismo das leis e a morosidade da justiça. Destaco em particular um item: na semana passada escrevi – novamente – acerca do descaso, do vilipêndio da Educação Pública no Brasil e em particular no Estado de são Paulo.


 Demonstrei um raciocínio por meio do qual estabelecia a necessidade de uma formação adequada para solidificar valores éticos e morais, a fim de elidirem uma comunidade real. sorrateiramente, após denúncias e matérias jornalísticas escancarando o problema, de maneira cínica, o governador do Estado de são Paulo elevou em dez por cento os salários dos professores que ganham abaixo do piso. Apenas deles. Os demais não precisam. Em termos matemáticos: o problema está resolvido. são Paulo paga o miserável piso a todos os professores. é isso? Resolve? A palavra solução tem aí uma conotação adequada? O que dizer de conceitos como respeito, compromisso, seriedade e verdade? Palavras são apenas símbolos, os quais movimento e uso de acordo com meus interesses. Reparem que nem estou a me utilizar do conceito de ideologia. se pretender complicar: que tal usar o termo “queda de avião”?

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