Nos anos sessenta e digamos, até aí pela metade dos anos setenta, quem ditava o ritmo e a fervura do carnaval de Fernandópolis era o FEC – Fernandópolis Esporte Clube que tinha sua imponente sede social ali na Rua Rio de Janeiro, defronte a agência do Banco do Brasil. E para os mais novos, vale lembrar que a extensão do FEC era o Minuano, que ficava ali na esquina da Avenida Oito e durante o dia funcionava como churrascaria e a noite virava o “point” de encontro da moçada. Grandes bailes de gala, grandes eventos, grandes carnavais.
Mas infelizmente os últimos anos da década de setenta, anunciavam o crepúsculo dos anos dourados do FEC de saudosa memória. Por outro lado, no começo dos anos setenta, acontecia a fundação da Casa de Portugal. Ideia bem sucedida e liderada pelo saudoso Comendador Mario de Matos que reuniu a “colônia portuguesa” para a execução desse ambicioso projeto, que deu muito mais do que certo. No começo, a Casa de Portugal começou com as famosas e lendárias Festas do Vinho. Animados com o sucesso de público dos primeiros eventos, os diretores liderados por Mário de Matos partiram para as não menos famosas “bacalhoadas” e noites portuguesas, que chegou trazer para Fernandópolis o famoso Roberto Leal.
Mais adiante inovaram com o não menos famoso Baile do Haway. E logo em seguida inventaram as cinco noites mais disputadas e aguardadas do carnaval regional. O carnaval de salão da Casa de Portugal era qualquer coisa de muito especial. O salão social e a pista de dança lotavam por completo e não era só de moços e moças não, os casais de “coroas” também entravam na festa e eram donos da maioria das mesas. Tanto que acho que por dois ou três anos, eu decidi brincar o carnaval da Casa de Portugal na “varanda” do clube. Lugar predileto dos que não tinham mesa, dos blocos e dos desagregados. E aí, a partir da metade da década de setenta, quando começou e ficou famoso o Carnaval da Casa de Portugal era assim: Quanto riso, quanta alegria, quanta animação, quanta gente bonita dançando e cantando ao som de grandes bandas. Chuva de confetes e serpentinas, a animação dos blocos, dos cordões e dos “trenzinhos”, todo mundo brincava, suava e se esbaldava nas cinco noites de folia do Reinado de Momo.
Eram tempos felizes e inocentes, onde sócios e não sócios do mais tradicional clube social da cidade se misturavam e brincavam o carnaval, ao ritmo das maravilhosas e deliciosas marchinhas que encantaram gerações. Quem viveu essa época de ouro do bom e velho carnaval dos salões, nunca vai esquecer as letras de sucessos como “Jardineira, Cidade Maravilhosa, Marcha do Remador (se a canoa não virar...), Saca-Rolhas (as águas vão rolar...), Vai,Com Jeito Vai, Mulata Bossa Nova, Colombina e As Pastorinhas”... Para brincar prá valer mesmo, sacolejar o esqueleto de verdade até se acabar, a gente se soltava extasiado quando a banda atacava de Mamãe Eu Quero, Turma do Funil, Cabeleira do Zezé, Chiquita Bacana, Pirata da Perna de Pau, Sassaricando, Cachaça (se você pensa que cachaça é água...), Nós, Os Carecas, Coração Corinthiano, Vassourinhas, Índio Quer Apito, Touradas em Madri, Allah-la-Ô, Maria Sapatão e Me Dá Um dinheiro Aí... Quem de nós num Reinado de Momo, nunca sentiu o coração disparar, dançando romanticamente ao som de Pierrô Apaixonado, Atire a Primeira Pedra, Taí, Aurora, Trem das Onze, VamosPrá Caminha, Máscara Negra ou a inesquecível Bandeira Branca? Quantos sonhos, quantos romances ou namoricos de estação, quantas paixões secretas não alimentamos em nossa juventude, no embalo dessas canções nas noitadas dos antigos carnavais? Naqueles tempos, dias antes dos bailes, os rapazes e as moças se juntavam em cordões e blocos e começavam elaborar suas fantasias.
Todo mundo tinha uma tia que costurava ou conhecia alguma costureira que dava conta do recado. As meninas se vestiam de colombinas, pierrôs, pastorinhas, e as mais avançadinhas e ousadas, aquelas que adoravam quebrar corações, iam de odaliscas. Já os rapazes preferiam ir trajados de beduínos, sheiks, palhaços, capetas, marujos e piratas. No salão reinava a alegria, o brilho dos paetês, as plumas e muita purpurina. Mas voltando aos velhos e bons tempos, sábado que vem, anote aí, dia 18. A Casa de Portugal vai fazer uma noite mágicae trazer de volta os bons e velhos temposdo carnaval de salão e das marchinhas. .A BandaCoktail dispensa comentários, é ótima. Mesa para quatro pessoas custa 150,00 com direito a canja; e convites individuais para não sócios 50,00 e sócios só 30,00. Reservas com o pessoal da diretoria ou na secretaria do clube pelo fone 3442.2344.Vamos reviver dos velhos e bons tempos.
Semana que vem tem mais. Até lá.
