A boa notícia da semana é o trabalho silenciosoque começou há dois anos e meio em Fernandópolis através do Sindicato dos Produtores Rurais e do Senar, e quena mesma épocao Grupo Apoiar de Indiaporãe região começou colocar em prática, e que sem dúvida alguma vai promover uma verdadeira revolução nos hábitos, no campo e na mesa dos brasileiros.
Segundo Nelson Gregorini Jr., do Sindicato Rural de Fernandópolis, o projeto começou em 2015 através de uma sugestão do engenheiro agrônomo da Prefeitura de Indiaporã/CATI Sérgio LuizDotoli, que solicitou ao sindicato a realização de curso sobre produção olericultura para capacitação de produtores e trabalhadores rurais da região.
O curso de Olericultura começou em fevereiro e terminou em outubro de 2015, dividido em dez blocos mensais. Começou com a sensibilização da importância do projeto para produtores, trabalhadores rurais e o fortalecimento da agricultura familiar. E seguiu mês a mês abordando temas como preparo do solo, compostagem, produção de mudas, plantio, tratos culturais, pragas e doenças, colheita e beneficiamento, custos de produção e comercialização.
O resultado do primeiro curso sobre produção de orgânicos foi tão positivo que no ano passado, ainda por sugestão de Dotoli e do empresário rural e engenheiro agrônomo Marco Antonio Castanheira, também de Indiaporã, o Sindicato Rural de Fernandópolis,com o apoio daFaesp – Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e do Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, promoveu o curso para produção de tomate orgânico, dando um novo impulso ao projeto de popularizar a produção de alimentos orgânicos e a implantação da agroecologia em nossa região.
A FORÇA DA REGIÃO
O resultado da realização destes dois cursos foi tão surpreendente e positiva que acabou chamando a atenção e reunindo produtores rurais de Fernandópolis, Indiaporã, Ouroeste, Macedônia, Santa Albertina, Populina, Mesópolis e Jales. Também agregou importantes lideranças regionais como profissionais da área agrícola, da saúde, empresários e até a participação ativa do bispo da Diocese de Jales, D. Reginaldo Andrietta.
“Nós precisamos mudar paradigmas, mudar a cultura de consumo e produção de alimentos, precisamos pensar na saúde humana, no meio ambiente e na preservação do planeta. E daí, o melhor que podemos fazer é massificar a produção de alimentos orgânicos, implantar a agroecologia, popularizar o consumo de produtos saudáveis e tornar o custo desta atividade compatível com o bolso do brasileiro, colocando o orgânico no mesmo patamar de preço do produto convencional”, explicouMarco Antônio Castanheira.
A ideia do Grupo Apoiar começa ganhar importância na economia doméstica e força na economia regional favorecendo produtores e população a partir da criação de entrepostos regionais, mini Ceasas, como ponto de venda de produtos do campo direto para empresários de supermercados, quitandas e no varejo, levando o produto à mesa do consumidor sem a atuação de atravessadores do mercado. O primeiro passo do projeto acontece agora, em abril na cidade de Jales.
“Começamos comprodutos orgânicos em data a ser definida agora em abril, aqui por Jales como sede do projeto piloto contando com a participação de cerca de 30 produtores rurais da região, isso porque conseguimos apoio da prefeitura com a cessão de um grande galpão, no conhecido “Comboio” onde vamos comercializar a produção de orgânicos no atacado e no varejo. Mas ainda vamos instalar este ano novos entrepostos em Fernandópolis e outras cidades da região”, garantiu Francisco Leonel Teixeira, diretor de ensino em Jales, especialista em agricultura familiar e agroecologia.
Sobre a instalação de um entreposto de produtos orgânicos na cidade, a prefeitura de Fernandópolis entra no jogo com força total, garantiu o advogado e secretário de Planejamento e Gestão, José Cassadante Jr. “O prefeito AndréPessuto está em São Paulo cumprindo uma agenda importante para a cidade, mas eu garanto que vamos abraçar esse projeto, podemos sediar esse entreposto de produtos orgânicos na cidade toda semana sem problemas. Se não tivermos galpãodisponível como Jales, podemos levar a feira para o recinto da Expõ. Estamos às ordens, aguardando contatos do pessoal”, finalizou Cassadante.
O FUTURO DO PROJETO
Marco Antonio Castanheira é um entusiasta e grande apoiador do programa, tanto que tem dedicado grande parte do seu tempo viajando e visitando propriedades com o também engenheiro agrônomo da CATI Sérgio Dótoli, difundindo a ideia, a importância e as vantagens da produção de alimentos orgânicos. Na terça feira eles estiveram em Frutal - MG, e na quinta-feira em Paranapuã-SP, falando dos primeiros resultados práticos da Apoiar para lideranças e produtores rurais daquelas cidades e região.
“Hoje o Brasil é o campeão mundial em uso de produtos agrotóxicos na produção de alimentos. O tomate, a batata e demais leguminosas e verduras de consumimos no dia-a-dia estão altamente contaminados com veneno contra pragas e doenças das plantas, mas é melhor comer produto com certa dose de veneno do que deixar de consumi-los. Mas isso começa mudar. O que nós estamos propondo é o agricultor economizar com inseticidas, ganhar tempo sem ter que fazer a pulverização de lavouras e produzir alimentos saudáveis para a população”, garantiu Chico Teixeira.
Castanheira vai mais longe e explica: “Precisamos de organização e participação de todo mundo nesse projeto. Precisamos do apoio da imprensa para divulgação. Precisamos da participação ativa de produtores e trabalhadores rurais, de agrônomos, engenheiros de alimentos, de médicos, de enfermeiros e de nutricionistas engajados no projeto. Enfim, precisamos de todo mundo sugerindo ideias novas que agreguem conhecimento e experiência, emais importante, vestindo a camisa e apoiando o trabalho,” disse o agrônomo.
Sobre o futuro do projeto, otimista, Castanheira diz que ele será vantajoso para a população, para o produtor rural e para o governo. “Vamos popularizar a produção de alimentos orgânicos, popularizar o preço desses produtos,melhorar a qualidade de vida do brasileiro. Com o consumo de produtos naturais, eainda, mais importante, sem o emprego de agrotóxicos. As pessoas terão uma vida mais saudável e menos doenças, como o câncer, por exemplo. Isso é bom para todo mundo. Para o governo isso significa economia na área de saúde. E mais importante, num futuro próximo poderemosabrir mercado para exportação de alimentos saudáveis para o mundo inteiro, e mais adiante, também vamos exportar frutos e sobremesas”, finalizou Castanheira.

No ultimo dia 15, o empresário rural e engenheiro agrônomo Marco Antônio Castanheira (em pé) durante palestra sobre Agroecologia e Produção Orgânica realizada em Indiaporã.

Dr. Oscar Gardiano, de São José do Rio Preto, presidente da Ecofam Certificadora, no mesmo encontro falou sobre a necessidade e características para certificação do produtor orgânico.

Também presente ao encontro em Indiaporã, Dom Reginaldo Andrietta, Bispo da Diocese de Jales, se comprometeu em apoiar o trabalho do grupo, mesmo porquê, a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento da agricultura familiar é uma preocupação da Igreja.