José Renato Se

O fim da criação ou a crise?

O fim da criação ou a crise?

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 8 anos

Na coluna anterior pautei-me na música para abordar um esgotamento da criatividade de alguns artistas. Concluí com o auxílio do filósofo Martin Heidegger. Citava-o na bela assertiva acerca dos primeiros filósofos, quando o germânico atesta não um fim daquela Filosofia, todavia, “um final glorioso”. No sábado li a coluna do amigo/ confrade/colunista Gil Piva na qual aborda o filme de Mel Gibson, acerca de um médico do exército norte-americano que se recusa a lutar na segunda guerra. Não me recordo o título da película e, confesso, não estou disposto a pesquisar o título.


A leitura que fiz da crítica de Gil me pareceu não muito entusiasmada, ou melhor, sem muita comoção acerca do filme de Gibson, embora reconheça méritos no diretor. Não assisti ao filme para emitir um juízo. Ontem li a coluna do João Pereira Coutinho, publicada às terças na Folha de São Paulo. O articulista comentava as premiações do Oscar. Dizia não ver nenhuma grande obra entre os concorrentes. Salientava que a última grande premiação ocorrera em 1993, quando da estatueta de direção entregue a “Os Imperdoáveis” de Clint Eastwood. Recentemente discorri acerca dessa obra prima. Portanto, me eximo de recomentá-la. Quanto ao escritor, cientista político e colunista português, me parece correto. Ainda que não tenha assistido aos filmes, sinto-me compelido a concordar. Pois seu texto ainda trata de um importante ponto: o esquecimento a que foram relegados os filmes premiados. 


Argumenta o articulista: ninguém se recorda de memória do filme ganhador do ano passado, muito menos do anterior. Por quê? Não são trabalhos marcantes, mas obras esquecíveis. Tiveram o impacto da premiação e agora pulam entre um canal ou outro da TV por assinatura, repetidos à exaustão, em horários diversos, sem significação. Qual foi o legado para a história do cinema? Em minha opinião: Nenhum. Estou a dizer isso tudo para voltar à questão levantada acima: Há uma crise ou esgotamento na criação artística? Pautando-me em alguns compositores, em nome do respeito a aquilo que produziram, argumentei com o auxílio de Heidegger. No entanto, se me ativer a maioria, concluo em fim. No cinema não é diferente: quem é o grande nome na atualidade que representa renovação? Se minha memória ou ignorância não me traírem... Nenhum. 


O filme muito comentado e indicado como o possível ganhador da estatueta, é um musical. A despeito de detestar esse gênero, entendo que está superado. Recordo-me do barulho que se fez por causa de “Chicago”. Antes de mais nada: blasfêmia. Usar o nome de uma cidade que é referência no Blues e uma de suas genitoras é ofensivo. A película é, para dizer o mínimo, muito entediante, chata, babaca. 


(Lembrem-se: Odeio musicais.) Além disso, houve um momento patético na patética cerimônia: a princípio fora lido o musical “La La Land” ganhador, para, em seguida apontar “Moonlight” como vitorioso. Muito estranho. Não vi os filmes, volto a dizer. Quanto ao musical, não verei. Moonlight é uma temática meio clichê. Será que não foram os ventos anti-Trump que fizeram a mudança de última hora? Parece absurdo. Exatamente por isso, permito-me a inferência. Reparem: em que momento tratou-se de qualidades estéticas e artísticas? Por fim, muitas vezes li ou ouvi comentários acerca de ser a crise um momento oportuno para a criação, para soluções criativas. Essas também se demonstram distantes. De modo geral, sou tentado a pensar que de fato na criação artística não há final glorioso, apenas um fim.

últimas