
Certas coisas nesta vida, só acontecem com o meu amigo Nilton do Prado, lá da Náutica Fernandópolis .Como o Nirtão viveu a vidainteira consertando motores de barcos do povo da região, desde quando era moleque de ’carça curta”, claro que ao longo dos anos fez um monte de amigos donos de terras nas beiras dos brejos, lagoas, lagos e rios da vida. Daí ele sempre é convidadopelos amigos e clientes e tem “porteira aberta” prá navegar e pescar em tudo quanto é canto que oleitor imaginar. O.Nirtão é boa figura e é o bem amado de tudo quanto é dono de barco nesse mundo véio e sem porteira.
Já faz um bom tempinho, certa ocasião ele foi consertar o motor do barco de um fazendeirão famoso, dono de uns vinte quilômetros de margem do nosso rioSão José dos Dourados, ali pelas bandas de Meridiano, na área do famoso “golfo” .que devido as corredeiras é considerado um dos melhores pontos de pesca do velho e bom São José.
Terminada a tarefa já no finzinho da tarde, o fazendeiroinsistiu pro Nirtão pescar, jantar com a família e passar a noite ali. O quarto de hospedes tinha até ar condicionado. Topou a oferta, claro. Mas antes, subiu numa arvore para conseguir sinaldo celular e avisar a esposa que ia dormir na fazenda do cliente. Se contou alguma mentirinha isso eu não sei.
Com a carta branca da esposa e apoio do amigo fazendeiro, o Nirtão vazou rumo ao rio no lusco fusco. E chegou na ceva do anfitrião estreando em alto estilo pegando belos piaus três pintas e alguns dos “zóiosvermeios”, fora duas belas piaparas. Nirtãotava rindo de “oreia a oreia”, claro.
Escureceu e ele continou firme no batente.Lá pelas tantas da noite, um peixe - sabe lá Deus de que tamanho um douradão talvez... juntouprá valer e a varinha de bambu indiano...créck!
Como a pescaria estava fantástica, e mais esse peixão fujão, Nirtãoresolveu improvisar uma linhada. Pegar aquele peixe, agora, era uma questão de honra. Botou um bom anzol caranheiro-norueguês legítimo, linha oitenta, fez um “rosário” de milho cobrindo o anzol e zzzuummmm..arremessou com força!
Não demorou dois minutos e o “trem” juntou prá valer, e esperto como sempre e rápido no gatilho como Tim Colt, o Nirtão,crau! Fisgou o bitelão! Puxa daqui, puxa dali, linha esticada “cantando”, cortando a mão, aquele barulhão na água... o danado era grande!
Depois de meia hora de labuta, com a língua de fora, o Nirtão conseguiu botar a mão no bicho... uma bela leitoa, de quase uma arroba. É que no escuro, ele calculou mal e arremessou com força demais. O anzolão cheio de milho, caiu bem dentro de um mangueirão de porcos, que havia do outro lado do rio.