Desde a segunda metade do século XIX os movimentos operários se organizaram pela luta por melhores condições de trabalho. A partir da Primeira Guerra Mundial as mulheres passam a ocupar postos de trabalho nas fábricas, principalmente na Europa. Desse movimento surgiram diversas organizações femininas devido à inserção das mulheres no mercado de trabalho, que igualmente aos homens tinham jornadas excessivas e salários mais aviltantes que os mesmos. Organizadas, principalmente em torno dos partidos de esquerda, reivindicavam direitos sociais e trabalhistas e o fim da exploração do trabalho infantil.
Em maio de 1908, nos Estados Unidos, foi comemorado o primeiro Dia Nacional da Mulher, reunindo cerca de mil e quinhentas mulheres. A reivindicação: igualdade econômica e política. Em 1909, o Partido Socialista da América organizou um protesto com cerca de três mil pessoas em Nova York e oficializou o dia 28 de fevereiro como data para celebrar o evento. Em novembro do mesmo ano conseguiu paralisar mais de quinhentas fábricas têxteis.
Algumas fontes citam ainda que ocorreram dois incêndios em tecelagens nesta cidade, um em 1857 e outro em 1911. Com o objetivo de aglutinar forças para a luta pelo sufrágio universal e ao nascente movimento feminista, em 1910, na Dinamarca, aconteceu o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Clara Zetkin, membro do Partido Comunista Alemão, apoiada por várias correntes revolucionárias de esquerda, principalmente comunistas e anarquistas, propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, mas não conseguiram definir qual a data.
Exatamente no dia 8 de março de 1917, em plena Rússia czarista (23 de fevereiro, pelo antigo calendário Juliano, adotado no país até então), aproximadamente noventa mil operárias do setor têxtil conseguiram o apoio de operários do setor de metalurgia e foram às ruas mostrar sua indignação ao Czar Nicolau II e manifestarem-se contra as más condições de trabalho, a fome e a participação na guerra, num protesto que ficou conhecido como “Pão e Paz”.
Segundo a pesquisadora Eva Alterman Blay, em seu artigo intitulado “Oito de março: conquistas e controvérsias”, essa data entrou para a história como um grande feito das operárias e também como o primeiro ato espontâneo que deu início à Revolução Bolchevique de outubro do mesmo ano. Após a Segunda Grande Guerra, o dia 8 de março, em virtude da greve das mulheres russas e também devido ao incêndio ocorrido nos EUA em março de 1911, foi tornando-se um símbolo em homenagem às lutas das mulheres.
Segundo Eva Blay: “Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente escolhido como o dia comemorativo da mulher e se consagrou nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em consequência do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.”
Em 1945, a ONU assinou o primeiro acordo internacional afirmando os princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 60 o movimento feminista ganhou mais força, principalmente com a publicação de “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir que mostra que a hierarquização dos sexos é – nada mais, nada menos – que uma construção social.
A ONU estabeleceu 1975 como o “Ano Internacional da Mulher” e em 1977 instituiu oficialmente o dia 8 de março como o “Dia Internacional da Mulher”. Em seu filme “A Chinesa”, Jean-Luc Godard nos brinda com a brilhante frase de uma das personagens que diz mais ou menos assim: “Eu que pensei que tivesse dado uma longa caminhada, na verdade dei meus tímidos primeiros passos”. Muitos direitos foram conquistados através da incessante luta de mulheres, e também de homens, que, visionários, atreveram-se buscar a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna. Estes foram apenas os “primeiros passos”, ainda temos muito que caminhar!