José Renato Se

A Carne é Fraca... E podre. 'Mentiras sinceras me interessam...'.

A Carne é Fraca... E podre. 'Mentiras sinceras me interessam...'.

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 8 anos

O final da semana passada reservou uma surpresa meio óbvia: há podridão, sacanagem nos negócios da carne.


Qual é o espanto? Qual é a falta de espanto?


Num país cuja “cultura” fora forjada na corrupção, no “rouba, mas faz”, no “roubar só um pouquinho”, “ele é ladrão, mas é gente boa”,... Nada disso surpreende.

Confesso, não fiquei nenhum um instante surpreso com aquilo que lera. Apenas mais uma dentre tantas “mutretas” dessa corja, quero dizer, “classe político-empresarial”. Afinal, a lógica e a “Ética” capitalista ensinaram: O lucro acima de qualquer coisa!


Patético ver a capa da Folha de São Paulo na Segunda-feira: O golpista preparando-se para abocanhar um pedaço de picanha. Qual será o frigorífico que servia a carne? Será que era um do esquema? Não acredito.


Outra foto, estampada nesse rotativo, mostra-o com uma cara de babaca – pleonasmo vicioso – rejeitando novos nacos da “proteína”. Essa foto foi brilhante. Deixando-o ainda mais ridículo.


Sempre me volta à frase de Goebbels: “Verdade é tudo aquilo que é repetido várias vezes”.


Assim, no geral, todos continuam a se iludir que as coisas possam melhorar.

Um corte rápido nessa imundice, para tratar de outra sujeira: Sábado, no Telecine Cult, assisti ao filme: “Trumbo”. Película que aborda aquele que é considerado pelos maiores nomes da indústria do cinema como o maior roteirista: Dalton Trumbo.


Conheço-o há muito. Assisti a seu único filme como diretor: “Johnny vai à Guerra”. Uma história claustrofóbica. Uma idílio contra a guerra e seus horrores. Johnny é um soldado mutilado: sem braços e pernas, resta-lhe a consciência, pensamentos e traumas. Impactante e belo!


Trumbo sofreu ao seu tempo. Pagou pela genialidade e compromisso. Militante do Partido Comunista dos Estados Unidos, bem como uma grande quantidade de roteiristas, diretores, atores, atrizes e técnicos, opunha-se ao crescimento do nazi-fascismo e das injustiças e opressão.


Em 1947 John Wayne – ícone dos republicanos, racistas e reacionários – uma espécie de “proto-trumpista”, aliado a Hedda Hooper, também da mesma “estirpe”, começam o “movimento” em nome da defesa dos ideias norte-americanos: na verdade do “americam way of life”. O ódio a todos aqueles que são e pensam diferente. Base para a ação de Mc Carthy. A famosa “lista negra”. Até o nome é racista.


Trumbo havia acabado de assinar um contrato com a MGM, o qual o transformava no roteirista mais bem pago de Hollywood.


O casalsinho fascista pressionou Louis B. Mayer. Esse demitiu Trumbo. O roteirista e os demais militantes foram intimados a depor numa espécie de “santo ofício”. Acusados de “atividades antiamericanas”.


Foram impedidos de trabalhar.


Depois de amargar três anos na cadeia, para sobreviver, Trumbo começou a escrever roteiros à exaustão para uma produtora de filmes “D”.


Aliás, na película em questão o dono dessa produtora – Kings Film – é um tipo impagável construído pelo ator John Goodman. Brilhante!


Ao cabo de trinta e seis meses, Dalton Trumbo entrega ao empresário o roteiro “Areias Sangrentas”. Alerta: “- Tenho uma péssima notícia: o filme é bom”.


Ganhou o Oscar de melhor roteiro. Detalhe: Trumbo já havia vencido com o a obra “A Princesa e o Plebeu”. Ambos anônimos, isto é, com um pseudônimo. Não pode recebê-los. Afinal estava na lista.


Kirk Douglas e o diretor Otto Preminger procuraram-no para trabalhar. 


Asseguraram-no que seu nome constaria dos créditos das películas. Roteirizou “Spartacus”, protagonizado pelo ator e dirigido por Stanley Kubrick e “Êxodos”, dirigido pelo cineasta austríaco.


Ganhou novo Oscar com “Spartacus”.


“Passando por cima” da maldita lista.


Trumbo foi recuperado. Resgatado como homem e artista. Antes de morrer recebeu os devidos créditos e honras.


Morreu livre.


A verdade veio à tona.


Assim espero que a mesma emirja da prodidão, dos esgotos fétidos da carne podre do poder escatológico dos golpistas.


Por falar em escatologia: vem aí nova lista: Essa fechada. Para você – livrevemente – escolher o candidato que o “partido” mandar.


É a reforma política!


Bom filme.

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