Carlos Eduardo

Educar é preparar para a vida

Educar é preparar para a vida

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 8 anos

“Criar uma criança é fácil, basta satisfazer-lhe as vontades. Educar é mais trabalhoso. Trata-se de prepará-la para viver saudavelmente em sociedade, o que significa que não basta ser inteligente, a criança precisa ser ética. Quando atendemos a todas as vontades de nossos filhos, estamos criando um animalzinho, pois pertence ao comportamento animal fazer tudo que deseja, fugir quando tem medo, dormir quando tem sono, comer quando tem fome e assim por diante” (Trecho do saudoso médico Içami Tiba, publicado no livro intitulado “Disciplina, Limite na Medida Certa”, da editora Gente).


            Na infância e adolescência, não entendemos algumas condições e limites impostos pelos nossos pais: o respeito a determinados horários, a preocupação com as nossas amizades, a “sagrada” hora de fazer a lição de casa, a importância do consumo de alimentos saudáveis, a privação gerada por algum castigo, entre outros. Ficamos aborrecidos e até nos sentimos perseguidos. Em momentos assim, às vezes escutamos de nossos pais a seguinte frase: “Amanhã, quando você for pai (ou mãe, se for o caso), entenderá porque fiz isso hoje”. 


            A frase pode ser um clássico bordão, mas sua mensagem é verdadeira e, realmente, compreendemos melhor o seu significado quando nos tornamos pais.


            Tânia Zagury, filósofa e mestra em Educação, em seu livro “Limites sem Trauma”, defende que “crianças que crescem sem limites tendem a desenvolver um quadro de dificuldades que vai se instalando passo a passo: descontrole emocional, histeria, ataques de raiva, dificuldade para se concentrar e concluir tarefas,distúrbio de conduta, desrespeito aos pais, colegas e autoridades, agressões físicas, caso seja contrariada”, dentre outros comportamentos inadequados.


            Os autores Daisy Ariane e Alex Teixeira, em artigo publicado na revista científica de Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde de Garça/SP destacam que criança sem limite cresce com problemas na percepção da outra pessoa. “Só ela importa, o seu querer, o seu bem-estar, o seu prazer. Por isso, a necessidade e importância do senso de limites na infância”. Eles ainda ressaltam que impor limites “não é bater na criança”, mas ensiná-la a respeitar os direitos alheios, dizer “sim” quando possível e “não” sempre que necessário, ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, tornem-se adultos capazes de lidar, com equilíbrio e maturidade, com as decepções e fracassos da vida.


            Trata-se de uma demonstração de amor e preocupação legítima dos pais ao educarem seus filhos corretamente, preparando-os, dessa forma, para enfrentar as responsabilidades que a vida lhes impõe à medida que crescem. Inclusive, há evidências de que a presença dos pais junto aos seus filhos, controlando-os e vigiando-os quando necessário, é um fator que contribui para diminuir as chances de envolvimento dos jovens com entorpecentes, álcool, tabaco e drogas em geral, como constatado no exitoso projeto Youth in Iceland (Juventude na Islândia), já citado em artigo anterior nesta coluna, e cujo objetivo é diminuir o consumo de drogas entre a população jovem daquele país europeu.


            Além disso, os pais devem servir de exemplo aos seus filhos para não confundi-los, já que as crianças percebem, com certa facilidade, a incoerência entre o que lhes é exigido e o que é praticado pelos pais. Por exemplo: fica mais difícil para um pai, que não respeita a sua esposa, exigir respeito do filho; proibir o filho de se aproximar do álcool ou tabaco quando o próprio pai ingere, compulsivamente, altas doses de bebidas alcoólicas ou é um fumante inveterado.


            Os pais nunca devem, portanto, se furtar da obrigação de educar corretamente seus filhos, cercando-os de carinho, amor e bons exemplos, colaborando, assim, com a formação de adultos capazes de lidar com as adversidades da vida e de entender a mensagem daquele velho bordão proferido pelos nossos pais: “Amanhã, quando você for pai (ou mãe, se for o caso), entenderá porque fiz isso hoje”.



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