ENERGIA

Reservatórios do Sudeste operam abaixo da média histórica; Água Vermelha acende sinal de alerta

Reservatórios do Sudeste operam abaixo da média histórica; Água Vermelha acende sinal de alerta

Água Vermelha registra apenas 29% do volume útil; em outubro foi de 28%

Água Vermelha registra apenas 29% do volume útil; em outubro foi de 28%

Publicada há 1 hora

Da Redação

Os reservatórios das hidrelétricas brasileiras iniciaram o mês de janeiro com níveis abaixo da média histórica em praticamente todo o Sistema Interligado Nacional (SIN). Os dados são do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e reforçam um cenário que exige atenção, especialmente no Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o mais relevante do país em termos de geração de energia.

Atualmente, o Sudeste/Centro-Oeste opera com 42,91% de sua Energia Armazenada (EAR), percentual considerado baixo para o período chuvoso, quando normalmente ocorre recuperação mais expressiva dos reservatórios.

Destaque para Água Vermelha

Entre os principais reservatórios do Sudeste, chama a atenção a situação da Usina de Água Vermelha, localizada no Rio Grande, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. O reservatório opera com apenas 29,02% do volume útil, índice significativamente inferior ao de outras grandes hidrelétricas da região. Em outubro passado era de 28,38%.

Água Vermelha responde por 2,12% da capacidade total do subsistema, sendo estratégica para o equilíbrio do sistema elétrico regional. O baixo nível reforça o estado de alerta para a operação energética, sobretudo em um período de alta demanda, impulsionada pelas temperaturas elevadas do verão.

Situação geral do Sudeste/Centro-Oeste

Além de Água Vermelha, outros reservatórios importantes do Sudeste/Centro-Oeste também apresentam níveis reduzidos:

  • Furnas: 32,35%
  • Marimbondo: 18,80%
  • Nova Ponte: 30,07%
  • Itumbiara: 33,69%
  • São Simão: 34,22%

Por outro lado, alguns reservatórios operam em patamares mais confortáveis, como Ilha Solteira (72,16%) e Três Irmãos (74,64%), o que ajuda a mitigar parcialmente o cenário, mas não afasta a necessidade de monitoramento constante.

Projeções de chuvas e afluências

De acordo com o Programa Mensal de Operação do ONS, para o período de 10 a 16 de janeiro de 2026, a previsão é de afluências abaixo da média histórica em três subsistemas até o fim do mês. No Sudeste/Centro-Oeste, a projeção é de 65% da média, enquanto o Norte deve atingir 59% e o Nordeste, 41%. A exceção é o Sul, com expectativa de 102% da média.

Em nota, o diretor de Operação do ONS, Christiano Vieira da Silva, destacou que o cenário exige cautela.

“Os resultados indicam um cenário de atenção na operação do SIN. O Sul se destaca com afluências acima da média, enquanto os demais subsistemas seguem com afluências abaixo da média, exigindo monitoramento contínuo”, afirmou.

Ele também ressaltou que o aumento do consumo de energia, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, reforça a necessidade de avaliação permanente dos cenários para garantir o atendimento da demanda com segurança e confiabilidade.

Verão traz expectativa, mas cenário ainda preocupa

Apesar de o verão ser tradicionalmente um período mais favorável à recuperação dos reservatórios, os números atuais indicam que a reposição hídrica ainda ocorre de forma irregular, mantendo o sistema em estado de atenção, sobretudo em reservatórios estratégicos como Água Vermelha.

O ONS segue acompanhando diariamente a evolução dos níveis e das chuvas, enquanto o setor elétrico adota medidas operacionais para preservar a segurança do abastecimento nos próximos meses.

Fonte: ONS


últimas