
Se pudéssemos resumir a complexidade do mundo em uma única palavra, qual seria? Talvez depois de algum tempo de reflexão muitos de nós, responderia com um vocábulo capaz de simplificar essa questão. Contudo, atualmente é tangível dimensionar a estrutura do mundo e suas complexidades em duas palavras: Inteligência Artificial. É fato que boa parte da geração atual concorda com isso.
O ser humano é capaz de armazenar décadas de informação, conhecimento, sensações, emoções, sentimentos, uma engenharia criada por Deus e impossível de ser superada, mas similarmente ao que ocorre com qualquer obra prima, também possui seus desfalques quando colocado a prova. Não somos capazes de compilar tantos dados e debulha-los fazendo o uso totalmente dos mesmos para atingir o ápice da nossa inteligência. Robôs, veículos autônomos, assistentes virtuais, assistentes de chamada, recursos tecnológicos, dispositivos moveis, telas, voz, comandos, sim são capazes. Estamos habituados a sermos auxiliados pela Inteligência Artificial e degenerativa para nossos cérebros. Talvez seja comum ver a inteligência de uma criança de 7 anos ser facilmente superada por um robô desenvolvido há poucas horas, mas com o poder de compilar, extrair e usufruir informação rapidamente. Isso não ocorre somente com uma criança, pois é comum ver adultos, com formação e graduação de se invejar, fazendo uso de calculadoras disponíveis em seus celulares, para cálculos do ensino fundamental. Não sabemos mais regras de adição subtração multiplicação e divisão. Em um determinado tempo a tecnologia estava a nossa mercê, e a nossa inteligência a nossa destra. Hoje, e a tendência é piorar, estamos a mercê da tecnologia e não temos discernimento sobre qual inteligência seguir: a nossa própria ou a encontrada através de chats que entregam tudo pronto para nós. Aos poucos a nossa criatividade e o poder insubstituível de pensar está escorrendo pelas nossas mãos e estamos felizes com isso.
O elemento e fator humano reage com bastante detrimento quando pesamos na balança o próprio relacionamento humano, cada dia mais robotizados e menos essenciais para tudo aquilo que se faz necessário à evolução humana, é que está em evidencia: a vida. Por isso é comum dizer que viver nos anos 80 costumava ser melhor que após a era dos anos 2000. A sociedade moderna exige rapidez, fluidez, mas acima de tudo sensatez ao estabelecermos o que realmente importa para nossas vidas e qualidades de vida: ser felizes. Estamos realmente satisfeitos com a monotonia e aborrecimento causados pela rotina atual? Acredito como engenheiro e pensador que devem existir mais pontos de convergência quando estudamos os avanços da I.A do que divergências, mas somente se estabelecermos limites democráticos para o seu uso, poderemos distinguir qual inteligência será superior: a artificial ou a original e mental dos nossos cérebros.
Empresas visionarias procuram fazer o que sabem de melhor: melhorar o desempenho no mercado, mas isso não pode custar o sacrifício do nosso maior potencial: inteligência e criatividade, duas palavras que estão sendo sacrificadas em nossas gerações atuais devido ao erro absurdo de que estamos fazendo nossas crianças mais inteligentes, quando na verdade estamos anulando com componentes eletrônicos, a sua capacidade de pensar.
Pablo Dávalos é Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial – FGV, Especialista em solos e nutrição de plantas – USP, Especialista em PPCP black belt six sigma e Empresário no ramo de agronegócios.
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