OPINIÃO

Artigo: Artigo: Empresas medíocres, resultados medíocres

Artigo: Artigo: Empresas medíocres, resultados medíocres

Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial

Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial

Publicada há 1 hora

Quando falamos em empreender, devemos considerar diversas variedades nas quais ao meu ver, duas costumam ser as mais importantes: criatividade e coragem. É preciso ter muita coragem para empreender em um oceano de tubarões dispostos a fazer o que for necessário para destituir um negócio gerido por um líder tímido ou que não se arrisca. Valores inexplorados capazes de se traduzirem em lucros não acontecem da noite para o dia, mas sim de anos de persistência ou insights que possam trazer produtos e serviços resolutivos, complementares aos já existentes e práticos o suficiente para que alguém esteja disposto a pagar o preço por eles. 

O processo de planejamento estratégico da maioria das empresas, ou a falta dele, se mantém refém do processo criativo necessário para fazer um negócio surgir e alcançar um patamar competitivo necessário dentro de mercados já dominantes. Ocorre que atualmente com a moda de ser alérgico e possuir alta repelência ao tradicionalismo que outrora dominava, o famoso regime de trabalho CLT, muitos se aventuraram como empreendedores ou microempresários sem ter o mínimo de conhecimento em questões simples: tributação, plano de negócios, noções de gestão. Vamos imaginar um plano de negócios típico atual: uma vasta compilação de informações sobre o setor no qual se pretende atuar (muitas delas pesquisadas em redes sociais, youtubers ou influenciadores que nunca abriram um negócio), uma enganosa e ilusória análise sobre como aumentar a participação no mercado e conquistar novos clientes, promessas absurdas de diminuição de custos e uma complexa lista de objetivos e iniciativas inalcançáveis. Os empreendedores atuais são capazes de demonstrar o seu plano de negócios repletos de gráficos e muitas planilhas de Excel com fórmulas copiadas e coladas, extensos documentos sem sentido, mas quase nunca conseguem demonstrar uma imagem clara do seu negócio e explicar como conseguir vencer a concorrência já existente naquele nicho de mercado. Em rodas de negócios, quando se pede para algum empreendedor expor suas estratégias em uns poucos slides, o resultado na maioria das vezes é constrangedor, embaraçoso e inconveniente. Não convencem nem a si mesmos. Não é de espantar que são escassos os planos de negócios estratégicos capazes de serem promissores o suficiente para se converterem em ações. 

Desenvolver e definir um setor de atuação que seja diferente e competitivo perante seus concorrentes, analisar um ramo sob a ótica de grupos estratégicos de mercado de ampla atuação ou de risco e se sobressair é algo dificil, mas básico para quem quer criar algo realmente de valor. Estudar a aceitação de um produto ou serviço e estruturar o escopo de negócio com base em apelos funcionais ou emocionais para assim formular a melhor estratégia que possa constranger as ameaças competitivas são atributos de quem é “puro-sangue” no mundo business ou que levou décadas de queda e ascensão para adquirir.

No Brasil, ainda se enfrenta os desafios da incômoda burocracia para quebrar barreiras impostas com o intuito de impedir o progresso capitalista. Isso é muito mais latente quando se analisa o contexto de maneira vertical, onde os menores empresários sofrem mais que os maiores. No entanto, um bom gestor ao se concentrar nos atributos de valor que levam os compradores a optar por seu negócio, faz toda a diferença para criar um novo espaço de mercado emergente e abrangente. Incrivelmente os menores empresários, devido ao seu espirito destemido iniciante, tendem a surpreender e se tornarem os maiores com ideias simples por acreditar naquele incomodo chamado inspiração, capaz de tirar o sono.  É extremamente complexo ser disciplinado a criar algo de valor quando não se é um entusiasta comprometido com seus próprios sonhos e objetivos. Ser empresário, é escolher sacrificar partes sociais de nossas vidas por algo maior, é praticar diariamente o exercício de saber lidar com pressão, estresse, é ter a impressão que estamos em um caminho no qual perambulamos sozinhos, mas o objetivo final deve ser motivador e prazeroso. Não se trata de dinheiro e sim de valor criado. Não se trata de competir diretamente com outros tipos de negócios já existentes, não se trata de lucro, não é nada disso, se trata apenas de criar uma nova demanda que satisfaça a realização própria e se traduza novamente em valor. 

Você já deve ter ouvido a frase: “tem gente que é tão pobre, que somente tem dinheiro”. E faz sentido. Paradoxalmente uma grande parte dos empresários atuais não criam valor, apenas movimentam quantias. E pior, na tentativa de se mostrarem lucrativos, exibem falsos “status” e perdem a maior parte de seus preciosos tempos trabalhando exaustivamente em algo que nem sequer eles mesmos acreditam. Já viu ou conhece alguem que tem mais de duas ou três empresas e na verdade nem aquela ou estas funcionam? Trabalho em vão. Em poucos anos passam o negócio para outra pessoa e perdem a chama que outrora acendia seus corações. 

Criar uma curva de valor que se traduza em algo revolucionário deveria ser o principal para se iniciar um negócio, deveria ser algo primário nos alicerces de um empresário independentemente do tamanho do seu negócio. Sem isso como requisito, deveria ser crime qualquer ser humano, sem prévio e básico conhecimento, se atrever a cometer a imperícia de constituir uma pessoa jurídica e se aventurar, pois esse tipo de iniciativa gera um maremoto catastrófico economicamente e altera a dinâmica estrutural do planejamento estratégico sagrado para se abrir um negócio, desencadeando uma série de fatores negativos que impacta diretamente na economia do país, pois gera um enorme dispêndio causado pelo elevado índice de inadimplência e processos de fechamento como recuperação judicial ou falência. Existe uma enorme proliferação de empresas, negócios, empreendedores e empresários, não seja mais um, faça a diferença e acredite em seus sonhos, crie, inove, seja a diferença. Sou um entusiasta de empreendedorismo e novos negociantes, mas desde que se preparem para isso.

Pablo Dávalos é Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial – FGV, Especialista em solos e nutrição de plantas – USP, Especialista em PPCP black belt six sigma e Empresário no ramo de agronegócios.

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

últimas