
Minutinho: Caminhai com determinação
Por: Bezerra de Menezes
Filhos, apesar dos percalços que enfrentais, inclusive no que se refere à conquista do pão de cada dia, prossegui caminhando com determinação.
Compreendei o eco do passado distante nas lutas que vos alcançam no presente: o filho rebelde, o cônjuge difícil, a carência material, o assédio sistemático das trevas...
Não descreiais do Amparo Divino, através dos amigos do Mais Alto, que não vos deixam a sós com as vossas provas.
Não fosse pela intercessão daqueles que por vós se interessam do Além, é possível que vos precipitásseis em mais profundos abismos de dor.
Inútil pretender qualquer colheita sem justa semeadura.
Por outro lado, de que valeria lançar sobre a gleba inculta a semente promissora?
Quantos anseiam por terem, e que nada fazem para possuírem?
Adquiri mais ampla compreensão da vida e atinareis com a causa de todos os vossos padecimentos.
Toda lágrima encerra uma lição e se constitui num estímulo ao progresso.
Quantos são os que negam a existência de Deus, unicamente por não serem atendidos em seus caprichos de ordem pessoal?
O que não tendes nem sempre deve ser interpretado por demérito de vossa parte. Muitas vezes, a providência que vos é mais necessária ao esforço de autossuperação é o obstáculo que vos parece restringir os movimentos.
Caminhai, pois, com alegria, sem permitir que a descrença se vos insinue no espírito.

Crônica: O único feliz
Por: Adaptação do site “Meu Sonho Não Tem Fim”
Certa vez um rei adoeceu gravemente. À medida que o tempo passava seu estado de saúde só piorava. Os médicos e os sábios tentaram de tudo, mas nada parecia funcionar. Estavam a ponto de perder as esperanças quando uma velha criada alertou:
– Eu lhes mostrarei como salvar o rei. Se vocês puderem encontrar no reino um homem feliz, basta tirar-lhe a camisa e vesti-la no rei. Ele se recuperará rapidamente.
Então o rei enviou seus mensageiros. Eles cavalgaram por todos os cantos do reino mas não encontraram um único homem feliz. Ninguém estava plenamente satisfeito; todos tinham uma queixa.
– Aquele alfaiate estúpido! – Ouviram um homem rico dizer. – Fez as calças muito curtas! E a propósito, a comida de hoje também está péssima! Este cozinheiro não consegue fazer nada direito?
– O que há de errado com os nossos filhos? – resmungou o moleiro para a esposa em outra casa. – Eles nunca fazem o que mandamos! Não ensinam boas maneiras na escola? E fazem tanto barulho! Mande-os brincar lá fora.
– Meu teto esta vazando – reclamou o artesão. – Isto não pode acontecer!
Os mensageiros não ouviram nada além de queixas e lamentações, aonde quer que fossem. Se um homem era rico, não tinha o bastante; se não era rico, era culpa de alguém. Se era saudável, havia uma sogra indesejável em sua vida. Se tinha uma boa sogra, uma doença o estava acometendo. Todos tinham algo do que reclamar.
Finalmente, numa noite, o próprio filho do rei, ao passar perto de uma cabana ouviu alguém dizer:
– Obrigado Senhor! Concluí meu trabalho diário e ajudei o meu semelhante. Comi meu alimento, e agora posso me deitar e dormir em paz.
O príncipe exultou por ter, afinal, encontrado um homem feliz. Imediatamente mandou que levassem a camisa do homem ao rei e pagassem ao súdito o quanto pedisse.

Imagem: IA/Gemini
Mas quando os mensageiros do rei foram à cabana despir a camisa do homem feliz, descobriram que ele era pobre demais e sequer possuía uma camisa para vestir.