OPINIÃO
É... que fase! Até o sol entrou na conta da Universidade Brasil
É... que fase! Até o sol entrou na conta da Universidade Brasil
Usina fotovoltaica instalada no campus de Fernandópolis vai a leilão judicial por R$ 1,5 milhão; enquanto isso...
Usina fotovoltaica instalada no campus de Fernandópolis vai a leilão judicial por R$ 1,5 milhão; enquanto isso...

É... que fase!
Se Milton Leite ainda estivesse narrando os capítulos da vida da Universidade Brasil, talvez nem precisasse inventar muito. Bastaria aquela pausa característica, seguida do comentário que já virou título desta coluna: “É... que fase!”
Porque a história da instituição parece ter adquirido uma capacidade impressionante de produzir novos capítulos justamente quando se imaginava que o roteiro já havia chegado ao limite.
E agora, caros leitores, até o sol entrou na conta.
A novidade da vez atende pelo nome de usina fotovoltaica.
Instalada no complexo educacional da Universidade Brasil em Fernandópolis, a estrutura, salvo a obtenção de alguma medida judicial de ultíssima hora, será levada a leilão judicial pela Justiça paulista. A primeira praça está prevista para começar nesta sexta-feira (25) e terminar na segunda-feira (28).
O valor da avaliação: R$ 1,5 milhão.
Se ninguém levar na primeira rodada, haverá uma segunda praça, com encerramento previsto até 23 de outubro e possibilidade de lances correspondentes a 60% da avaliação — algo em torno de R$ 900 mil.
É isso mesmo.
A usina que um dia representou investimento em tecnologia, sustentabilidade e economia de energia agora aparece em um processo judicial com etiqueta de preço.
E não estamos falando de meia dúzia de placas instaladas no telhado.
O sistema é composto por 3.960 módulos solares First Solar de 117,5 Wp, organizados em 90 circuitos, além de outros 110 módulos Jinko Solar de 530 Wp.
A usina começou a operar em fevereiro de 2019 — curiosamente, poucos meses antes de a Universidade Brasil mergulhar no episódio que mudaria definitivamente sua trajetória pública: a Operação Vagatomia.
A estrutura chegou a produzir centenas de milhares de quilowatts-hora de energia e foi apresentada como uma importante iniciativa de geração própria e redução dos custos do campus.
Ou seja: era para o sol ajudar a pagar a conta.
Agora, aparentemente, é o patrimônio que está sendo chamado para ajudar a fechar a conta.
Como toda boa história de bastidores, esta também tem outro personagem importante.
O curso de Medicina de Fernandópolis recebeu conceito 1 no Enamed 2025, resultado que levou o Ministério da Educação e Cultura (MEC) a impor medidas restritivas, entre elas a redução de 50% das vagas autorizadas para ingresso, além de entraves relacionados ao Fies, à ampliação de vagas e a outros programas federais.
Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu as medidas cautelares determinadas pelo MEC contra instituições com baixo desempenho na avaliação.
No caso da Universidade Brasil, portanto, há uma combinação que certamente não ajuda a melhorar o humor dos bastidores: menos vagas, restrições federais e, agora, um ativo milionário colocado em leilão judicial.
É impossível falar da trajetória recente da Universidade Brasil sem voltar a setembro de 2019.
Foi naquele momento que a Operação Vagatomia, da Polícia Federal, colocou a instituição no centro de uma investigação que apurava suspeitas envolvendo comercialização de vagas em Medicina, fraudes em vestibulares, irregularidades relacionadas ao Revalida e possíveis desvios em programas de financiamento estudantil.
O caso teve grande repercussão e colocou dirigentes - inclusive seu proprietário - e pessoas ligadas à instituição no radar da investigação.
Desde então, a Universidade Brasil vem convivendo com uma sucessão de episódios judiciais, administrativos e financeiros.
E o que chama atenção agora é justamente a natureza do novo capítulo.
Não é mais apenas a Justiça batendo à porta. É a Justiça colocando patrimônio da instituição na vitrine.
Em Fernandópolis, a pergunta que começa a circular não é exatamente sobre a eficiência dos painéis solares.
Essa, aparentemente, já foi comprovada pela própria geração de energia.
A pergunta é outra:
Se uma estrutura avaliada em R$ 1,5 milhão está sendo levada a leilão, quais serão os próximos ativos a entrar nessa fila?
É claro que um leilão judicial não significa, por si só, que toda a instituição esteja à venda ou que outros patrimônios necessariamente terão o mesmo destino.
Mas também seria ingenuidade ignorar o simbolismo.
A Universidade Brasil chegou a investir milhões em estrutura, tecnologia e expansão.
Agora, uma das vitrines desse investimento está sendo precificada pela Justiça.
E há algo quase cinematográfico nisso: a mesma instituição que apostou no sol para produzir energia agora vê sua usina sendo transformada em dinheiro.
Do campus para o pregão. Dos painéis para os lances. Do investimento para o leilão.
É... que fase!
E, para quem acompanha os movimentos de bastidores, fica uma certeza: a novela da Universidade Brasil ainda está longe de ter seu último capítulo.
Por: Beto Iquegami
O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.