
Certos pescadores vão morrer de velhos e nunca vão aprender a lição. Vivem se metendo em encrencas por mixarias e passando vexames desnecessários. Claro que a coluna não “vai dedar” os autores da façanha, até porque o pessoal é gente boa e tem bom nome na praça. Gente fina mesmo, mas metida a levar vantagem em tudo, famosa “Lei do Gerson” e é aí que está o problema.
Pois bem, dia desses o grupo voltava de uma mal sucedida pescaria e resolveu amenizar o prejuízo atacando um belo pomar de laranjas da região. Pararam a picape cabine dupla, apanharam sacos e caixas de isopor e entraram no pomar fazendo mais estrago que um bando de antas baleadas.
Depois de duas ou três viagens carregando laranjas até a camionete, de repente deram de cara com o dono do pomar, acompanhado de dois filhos bem grandões e dois funcionários da fazenda. Flagrante dos bons! O fazendeiro com um reluzente Schimit na cinta, os dois jagunços armados com cartucheiras e os dois filhos, com os braços cruzados, olhando feio prá cara de cada um da turma. Aí, a única saída foi negociar:
--- A gente paga a laranja, patrão!
--- Mas eu não tou vendendo laranjas, disse o fazendeiro.
--- Mas a gente faz questão de pagar as laranjas que apanhamos, o senhor bota o preço!
--- Bom, já que é assim, cada saco custa R$60,00 e cada caixa de isopor eu faço por R$35,00.
--- Mas essa laranjinha do senhor tá cara, heim?
--- Não. Não tá cara não, moço! O senhor é que quis comprar!
Feita as contas, o líder do grupo de espertinhos, sem saída, fez a soma e noves fora, fez o cheque e entregou pro fazendeiro. Aí o filho mais moço, com a simplicidade de todo caboclo de bom coração, matou no ninho, como se diz:
--- Se oceis tivesse pedido pro pai, não ia custar nadica. A gente até ajudava oceis panhá as laranja!