Todos os dias ouço reclamações sobre as mensagens de texto, vídeos ou imagens encaminhadas pelos aplicativos de redes sociais. Particularmente, apesar de filtrar o que acesso e leio, ainda, me espanto com as (des)informações divulgadas por meio dessas ferramentas.
Apesar de ter abordadoesse assunto tantas outras vezes em textos anteriores, expondo minha perplexidade diante da falta de bom senso com relação àquilo que é compartilhado nas redes sociais, não sou contra tais programas, muito menos avesso ao desenvolvimento da tecnologia. Não sou saudosista, como aqueles que acham que “antigamente”que era bom.Muito pelo contrário, acho que sofríamos mais pela ausência das facilidades, tecnológicas ou não, que hoje estão ao nosso dispor.
O bom senso a que me refiro acima, ou a falta dele, perece no fato de as pessoas sequer lerem com atenção as mensagens que recebem ou fazerem uma análise sobre sua veracidade ou a ausência de lógica de alguns textos, antes de passá-los adiante.
Uma das causas desse tipo de ação pode ter origem no baixo índice de proficiência de nosso povo em sua própria língua. Apenas oito por cento dos brasileiros têm plenas condições de compreender e se expressar, ou seja, um pequeno número da população éplenamente capaz de entender e se expressar por meio de letras e números.
Ainda assim, acredito que essa seja apenas uma pequena parte do problema. Talvez a maior parte resida na ausência de compromisso da pessoa que repassa as mensagens recebidas ou até nainércia ao deixar fazer uma leitura mais atenciosa do texto ou, especialmente, de checar a fonte da mensagem.
Já cansei de verificar as fontes de mensagens que recebo, muito mais para confirmar que são falsas ou inexistentes, diante das informaçõesincorretas ou desencontradas inseridas nos textos, além das enormes idiotices sob a forma de letras,que circulam na internet faz não sei quantos anos. Se não tenho tempo de verificar ou tenho dúvidas com relação ao conteúdo, não repasso.
Além de comentários sobre mensagens veiculadas, ouço também críticas quanto aos conteúdos postados, sobre as costumeiras descrições da rotina diária dos donos de perfis de aplicativos diversos, certos tipos de selfie, sobre os comentários absurdos acerca de fatos que interessam à pouca gente, mas, curiosamente, viralizam nas redes sociais, sobre discussões infinitas de temas irrelevantes e sobre tantos outros aspectosque vagam pelos inúmeros e milionários aplicativos.
No entanto, nada disso deveria nos surpreender. Se a tecnologia se desenvolve dia a dia, o ser humano continua o mesmo há séculos. A personalidade e mente humanas muito pouco, ou quase nada, evoluíramdesde a história antiga.
O que a tecnologia e as rede sociaisfizeram, e continuarão fazendo,foi possibilitarque as mensagens dos emissores alcancem maior número de receptores. Tudo aquilo que as pessoas propagam nas redes sociais e da maneira que o fazem, com raras exceções, mas com maior amplitude e alcance, nada mais é do que a manifestação de suas personalidades, são os pensamentos e atitudes que fazem parte de cada ser, seja online ou pessoalmente.
Sempre existiram fofoqueiros, intolerantes, os sem-noção (segundo nosso julgamento pessoal), aqueles que gostam de se exibir, os que são maldosos, os que são meigos, os que gostam de falar besteira, os que são engajados em causas sociais, os desavisados, os preocupados, os não-tô-nem-aí e todo tipo de pessoa e caráter que possa existir no universo da raça humana.
As redes sociais não têm culpa disso, é claro. O martelo foi criado para auxiliar o trabalho, mas muita gente transformou essa ferramenta em arma e a usou para matar.As várias invenções criadas pelo ser humano foram pensadas para facilitar a vida dele, quem resolveu complicar foi outro ser humano.
Quando Graham Bellinventou o telefone, certamente a única coisa que passou pela cabeça dele foi de facilitar a comunicação entre as pessoas, imagino que não deva ter pensado “vou inventar um instrumento para melhorar a divulgaçãoda fofoca” ou “vou criar uma ferramenta para passar trote nas pessoas”.
Assim têm sido as invenções: criar ferramentas para facilitar e melhorar nossa vida. Ao menos é essa a ideia original. De qual maneira as pessoas irão usá-las ou se desviarão sua finalidade, fica a critério de cada mente, ás vezes genial, outras doentia, às vezes intuitivamente benéfica, outras tantas maléfica.
Seja como for, falando especificamente das redes sociais, além de facilitar a comunicação e proporcionar, teoricamente, a aproximação e entrelaçamento das pessoas, por isso são redes e intitulam-se sociais, o que elas realmente fizeram foi colocar uma enorme lupa sobre sociedade humana.