Por Breno Guarnieri

“Temos um abacaxi nas mãos”, diz um dos vendedores de extintor após ser consultado pela Reportagem sobre a mudança
Prejuízo. Essa é a resposta da maioria dos comerciantes de extintores veiculares de Fernandópolis, após a suspensão da obrigatoriedade do uso do equipamento de segurança nos veículos. Os estoques lotados demonstram os investimentos de até R$ 10 mil para a aquisição dos itens do modelo ABC que, agora, “juntam poeira” nas prateleiras dos estabelecimentos.
Depois de muita correria no início de 2015 por parte dos motoristas para adquirir o novo tipo de extintor – que era obrigatório nos veículos – os estoques esgotaram e fez com que os donos de postos e lojas reforçassem os estoques. No entanto, a obrigatoriedade não foi “muito longa”, sendo revogada pelo próprio Contran (Conselho Nacional de Trânsito), em setembro do ano passado.
Para os comerciantes que adquiriam o equipamento em grande quantidade e para os motoristas, que desembolsaram até R$ 85 para comprar o extintor, todo o procedimento (primeiro de ser obrigatório, depois deixar o uso como facultativo), foi “um desrespeito com o brasileiro”. Segundo os entrevistados, faltou planejamento, estrutura e bom senso para os órgãos competentes.
ESTOQUE CHEIO
Em determinadas lojas de Fernandópolis, a procura pelo produto caiu 100%. Se no começo de 2015, o item de segurança passou a ser comercializado de R$ 65 para, em média, R$ 85, hoje, voltou ao preço “normal”, podendo até cair um pouco mais, para que seja vendido.
As perdas financeiras entre as lojas já começaram a aparecer. Após passar a ser um item opcional, os motoristas deixaram de ir às lojas. “Temos atualmente 30 extintores em estoque. Desde que o Contran anunciou que não era obrigatório, nenhum extintor saiu do estoque”, afirmou o gerente de um estabelecimento.
Além dos prejuízos, os comerciantes acreditam que a decisão possa ter sido equivocada. O dono de uma loja de produtos de segurança e combate a incêndio, Augusto Pereira, acredita que uso do extintor nos veículos particulares é uma questão de educação e segurança.
“De fato não havia a necessidade de manter a obrigatoriedade do uso de extintores. Nos Estados Unidos e na Europa não é preciso ter esse equipamento no carro. Apesar disso, essas pessoas se previnem constantemente. Elas foram educadas para isso e aqui no Brasil muitas pessoas não tem o conhecimento correto da educação preventiva. Vendo por esse lado, essa exigência não deveria ser retirada”, ponderou.
MOTORISTA
Com o extintor no veículo – pois o mesmo já saiu com o carro da concessionária –, o empresário Paulo Magalhães, 42 anos, acredita que o prejuízo ficou por conta dos comerciantes e dos proprietários dos veículos, que foram obrigados a comprar o equipamento. “Uma falta de respeito com a população”, criticou.
PRORROGAÇÕES
No dia 15 de dezembro de 2014, o Conselho Nacional de Trânsito divulgou uma nota afirmando que os extintores do tipo ABC seriam obrigatórios em todos os veículos brasileiros. A resolução entraria em vigor no dia 1º de janeiro de 2015. No entanto, a grande demanda pelo produto, zerou o estoque de extintores em todo o país e a exigência foi adiada três vezes ao longo do ano. A primeira prorrogação aconteceu em 5 de janeiro, a segunda foi no dia 25 de março e a última aconteceu no mês de julho.
MULTA
A queda da obrigatoriedade foi instituída, por meio da Resolução 556, tornando facultativo o uso do extintor em automóveis, utilitários, caminhonetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. No entanto, conforme o Contran, o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), e a Polícia Militar, quem optar em possuir o extintor no veículo deve seguir as normas estabelecidas pelo Conselho. Isto inclui a validade do equipamento. Caso o item de segurança esteja vencido, o motorista será multado em R$ 127,69 (infração grave), e serão lançados cinco pontos na carteira de motorista do condutor.