
No meu tempo de juventude, quando a gente fazia corpo mole, lembro que minha Mãe a “Dona Neonilde”, sempre brava dizia em alto e bom som: “Larga de preguiça, tá parecendo um véio de sessenta anos”. Lá nos anos dourados, quem tinha sessenta ou mais janeiros definitivamente era um velho.
Eu já passei dos 60 faz um bom tempinho, tou na metade, e hoje sou considerado idoso; mais um sócio do Clube da Feliz Idade e percebo que os tempos mudaram. Hoje aqui na nossa região a nossa longevidade devido o sossego e a qualidade de vida do interiorano é uma das taxas mais altas do país. Sendo assim, quem tem mais de setenta, vai para o Clube da Terceira Idade e aqui quem tá com mais de 80 janeiros no lombo, vai para o Clube da Quarta Idade. Nesse ritmo, mais dez anos, vamos ter que abrir o Clube da Quinta Idade. E mais alguns anos, vamos ter que criar o Clube da Sexta Idade. Isso é uma beleza. No futuro vamos ter o clube da sétima e oitava idade. Pode apostar sem medo de errar.
Tudo bem, o tempo é ingrato, o tempo passa, o tempo voa e isso envelhece o nosso corpo. Só que a cabeça da turma do meu tempo continua a mesma dos velhos e bons tempos. Salvo uma minoria, a disposição da moçada de sessenta, setenta ou oitanta anos continua a mesma, o humor continua mais ou menos igual. E vamos levando a vida. E vale dizer que lá nos anos sessenta nossa geração prometeu que nunca iria envelhecer. E não envelhecemos mesmo, ficamos idosos, apenas isso. E por favor desculpe a expressão, mas nos nós somos foda!
Mas agora com essa revolução digital, devo reconhecer que definitivamente, estou ficando velho. Embora continue fazendo das tripas o coração, para tentar me manter atualizado, ficar antenado, em dia com esses tempos malucos, a vertiginosa velocidade das mudanças impostas por esta assombrosa revolução digital, complica e muito, as coisas. Celulares, aplicativos, computadores cada vez menores, mais velozes e cheios de novos recursos, conversas via zap-zap, iphone, ipod, ipad, tablets e sei lá mais o quê; fica cada vez mais difícil acompanhar o ritmo. Haja cabeça, haja fôlego, haja tempo. Estou me virando como posso e me sentindo um dinossauro e um analfabeto digital.
A linguagem atual é um bom exemplo disso tudo. Algumas pessoas parecem robôs falando por códigos. A moçada, nossos filhos e os netinhos, por exemplo, adotou de vez o “internetês”, escrevendo tudo de forma cifrada. Logo, vamos precisar dicionários e até de tradutores para entender o que eles estão tentando nos dizer. Experimente entrar numa rede social. Lá eles escrevem o que bem entendem, tudo abreviado como um código secreto, e a gente...bem, a gente que se vire. A gente que se dane e aprenda ficar esperta!
Dia desses recebi uma mensagem de meu filho caçula que mora fora, onde num trecho inbox no Facebbok , estava escrito o seguinte: “kcte, tmb vc nunk tah trank, kra.V c fik gels, sussa, blz? Eh d+, sl, flw? Bjs, fui!” E aí, deu prá você entender alguma coisa? Não? Então não se aflija amigo, porque igual você, eu também não entendi bulufas. Tive que me socorrer com meu filho mais velho, e ele, rindo muito, traduziu: “Cacete, também você nunca está tranquilo, cara. Vê se fica frio, sossega, beleza? É demais, sei lá. Falou? Beijos, estou saindo”.
Amigos, depois disso cheguei a conclusão que estou velhinho. E olhe que eu leio o Estadão , A Veja, a Istoé, A Época, direto e reto. Vejo a Globo News e A Band News todos os dias. Vejo Canal Livre na Band com o Fernando Mitre, Vejo Willian Waack no Painel da Globo News. Ouço Zé Paulo de Andrade no Pulo do Gato. Ouço o Jornal Gente da Band com Salomon Esper, Agostinho Pereira, Ricardo Colombo, Taise de Almeida, Claudio Humberto e Zé Paulo de Andrade.
Aliás, acho mesmo que estou ficando velhinho. Não consigo mais acompanhar meus filhos nessa floresta digital. Mas quer saber? Tou me lixando prá essa tecnologia de última geração . Aliás, a onda de fakes e de noticias falsas nos bilhões de sites da Internet virou modismo porque rende cliks e dá Ibope. E cá para nós eu não tenho tempo prá ficar checando se a fonte é verdadeira, honesta ou não. Daí eu não troco a leitura de um bom jornal impresso e também não troco esse povo aí em cima que faz uma TV e um Rádio sério por nada, porque todos eles tem uma reputação construída com jornalismo de qualidade. Semana que vem tem mais. Até lá