Mariangela Ange

O gosto amargo da cura

O gosto amargo da cura

Mariangela Angeluci Siqueira - Psicóloga Clínica, Palestrante, Coach Vocacional e Terapeuta Reikiana

Mariangela Angeluci Siqueira - Psicóloga Clínica, Palestrante, Coach Vocacional e Terapeuta Reikiana

Publicada há 7 anos

Todos nós queremos curar as nossas dores, os nossos sofrimentos, as nossas mágoas e tristezas, não é mesmo? Mas, será que todos nós estamos dispostos a provar o gosto amargo dessa cura?

 

É muito comum eu conversar com pessoas que lamentam muito por suas condições de sofrimento e dor. Elas me explicam como anda a vida delas e mostram o quanto se sentem injustiçadas, atacadas, ameaçadas e perseguidas no seu dia a dia pessoal e profissional. Encontram provas do quanto elas não tem culpa ou responsabilidade alguma acerca daquela situação a qual estão inseridas e não enxergam saída. Sentem como se não tivesse solução. Algumas acham que Deus as castiga, outras acham que não tem sorte mesmo, já outras dizem que “é normal estarem assim, já que está todo mundo no mesmo barco”. Costumam dar muitas explicações e justificativas para o momento que se encontram, mas querem muito sair daquele martírio, daquele caos. Buscam um ombro amigo ou uma ajuda terapêutica quando não suportam mais tanta dor. No entanto, a maioria tem em si, a ideia de que a cura será como uma cirurgia médica. Acreditam que chegarão, desabafarão, ouvirão algumas palavras de incentivo e a dor, simplesmente, irá sumir e eles se transformarão em novas pessoas. Feliz ou infelizmente, não é assim que acontece. Essa cura ainda traz consigo uma grande carga de outro tipo de sofrimento, diferente desse que nos faz procurar ajuda ou, nos faz querer desaparecer. É um sofrimento de mudança de paradigmas, quebra de crenças limitantes, saída da zona confortável que criamos para fechar os olhos para estas dores, porém que fazem com que fiquemos ainda mais identificados e apegados a elas. É sim, um movimento cirúrgico, porém, não tem uma anestesia certa e é preciso arrancar aquilo a sangue frio. Algumas doenças são curadas a partir do próprio veneno dos insetos que a provocam. Ou seja, nós mesmos criamos nossas dores, porém, nós mesmos somos capazes de nos livrarmos delas.

 

O cientista ph.D.Daniel Goleman, o qual escreveu livros como “Inteligência Emocional” e “Foco”, constatou que existem 3 tipos de pessoas no mundo: as que fazem a diferença (as quais ele diz que são apenas 2% da população mundial); as que ajudam estas primeiras a fazerem a diferença (13% da população mundial) e as que nem sabem o que está acontecendo, mas seguem o fluxo (85% da população mundial – a grande massa – a matrix). Tem uma série na Netflix que diz que são 3% da população mundial que faz a diferença, tanto é que o nome da série é 3%. Porém, a quantidade não importa, o que importa é você olhar pra si mesmo no espelho e se perguntar se está fazendo a diferença no mundo, ou mesmo dentro da sua própria casa, na sua vizinhança, na sua cidade, na sua escola, qualquer lugar que seja, até mesmo, se está fazendo a diferença na sua própria existência ou se você está ajudando os verdadeiros protagonistas da história a brilharem no palco, enquanto você está apenas vivendo (ou talvez, apenas sobrevivendo, existindo, vegetando no mundo) ou, nem mesmo isso, talvez esteja apenas seguindo o fluxo mesmo, indo pra onde mandam você ir. Essa é uma pergunta muito importante a se fazer. Eu acredito que o sofrimento é gerado a partir de quando sabemos que não estamos sendo o que verdadeiramente somos, não estamos exercendo o nosso propósito, a missão da nossa alma. Isso é o que nos faz sofrer.

 

Muitas vezes admiramos algumas pessoas, chegamos até a sentir certa inveja delas, taxamos de sorte quando elas alcançam o topo, conquistam seus sonhos e, podemos chegar até a  destilar certo ódio a elas. No entanto, pagar o preço para chegar até onde cada uma delas chega é para poucos. O gosto dessa cura, desse sucesso, dessa felicidade é muito amargo. Remédios geralmente são muito amargos, mas são eles que tratam das doenças do corpo. Psicoterapia ou qualquer tipo de terapia que trata das doenças da alma, também são amargas e, na maior parte das vezes, nos causará grande incômodo e, só se torna poderoso, quem é capaz de atravessar a fervura desse fogo, as altas temperaturas para, ao final, se tornarem diamantes, pérolas preciosas, enfim, pessoas admiradas.

 

Eu gosto muito de pensar que posso ser a pessoa que eu mais admiro e, para todas as pessoas que cruzam o meu caminho, eu procuro incitar o mesmo pensamento nelas.

 

Seja a pessoa que você mais admira. Tome a frente das decisões da sua vida e decida ser feliz. Nelson Mandela nos ensina que podemos responsabilizar os outros por suas atitudes, no entanto, somos os únicos responsáveis pelos nossos sentimentos frente a essas atitudes.

 

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