Com minha aposentadoria diminui meu ritmo de trabalho. Agora leciono apenas na UNIJALES.
Às segundas – ao menos nesse semestre – estou liberto de obrigações profissionais. Ócio total. Faço apenas aquilo que me é prazeroso.
A noite recolho-me para meu quarto, após leituras e estudos, ou mesmo, após nada.
Ligo a televisão em busca de algo prestável. Tarefa árdua.
Até a pouco era inevitável: assistir aos programas esportivos. Cansei!
Hoje somente o de meu amigo Vono.
Resta apenas a esperança de encontrar um filme. Pelo menos “assistível”.
Meu amigo Washington comentara comigo acerca do filme “Corra!”. Dissera que gostara muito. Segundo suas observações: “- Era uma forma diferente de abordar o racismo”.
Fiquei curioso.
Segunda-feira retrasada constatei que o filme seria apresentado às vinte e duas horas no TELECINE.
Reservei.
Assisti ao filme.
Gostei bastante. Surpreendente.
Lembrei dos comentários de meu amigo.
A película trabalha de maneira muito singular a questão do racismo. Diria cínica, irônica. A ação transita entre o cômico, o suspense, de certa forma até a ficção. Todavia, o mais importante é aquilo que não é dito. Que não está explícito.
Brancos eleitores de Obama que continuam a odiar e segregar negros e todas as outras etnias. No entanto, deixam transparecer um recalque em relação a negritude.
O negro é representado por dois personagens. Díspares. Transitam entre a compreensão e tolerância de um, até ingênuo; e a intolerância, mais ainda, a lucidez e a descrença do outro.
Parece que o filme está a nos dizer: “- Sim, há negros bons e ruins. Porém, é difícil encontrar brancos bonzinhos.
Enfim: “não há pureza de raça”.
Se, por ventura, não se pretender ver nada disso, ou seja, assistir ao filme, pelo prazer de fazê-lo, como entretenimento; ótimo. Faça.
Ótimo filme para você.