HISTÓRIAS DO T

Domingo de Ramos e a fé do povo em Santa Barbara e São Jerônimo

Domingo de Ramos e a fé do povo em Santa Barbara e São Jerônimo

Por Claudinei Cabreira

Por Claudinei Cabreira

Publicada há 7 anos


Amanhã é “Domingo de Ramos”, dia que por tradição marca a abertura da Semana Santa. Lembro bem que o povo da roça se organizava em caravanas, lotando caminhões, tratores, carroças e charretes rumando para a cidade para assistir a missa. Nesse dia, as pessoas levavam folhas de palmeiras, todas decoradas com laços de fitas ou em forma de arranjos trançados, para serem benzidos durante a cerimônia religiosa.

Essas folhas de coqueiro eram guardadas durante o ano todo e serviam, para serem jogadas ao fogo do fogão de lenha, durante as tempestades. Enquanto as folhas ardiam no fogo, o povo em prece pedia à Santa Bárbara e São Jerônimo para acalmar o temporal. Lembro-me que nessas ocasiões, meus pais chamavam todos os filhos para ficarem debaixo da mesa da cozinha, enquanto eles continuavam alimentando o fogo com aquelas folhas benzidas. A cada relâmpago ou trovão, diziam sempre: Santa Bárbara, São Jerônimo!

         Quinta Feira Santa, depois do meio dia, tudo parava. Ninguém capinava, batia martelo, cortava lenha no machado ou serrava madeira. Facas, canivetes e tesouras eram guardados.  O rádio era desligado e as pessoas conversavam o mínimo possível, sempre em voz baixa. Dizem os antigos, que nesse dia, nem os pássaros cantavam!

Esse ritual era mantido no dia seguinte, a Sexta Feira da Paixão.  Quem morava na roça seguia de novo para a cidade, para assistir a Paixão de Cristo, em preto e branco, que passava o dia inteiro nos Cines Fernandópolis e Santa Rita. Depois, à noite havia a grande e silenciosa  procissão percorrendo as ruas da cidade, com o povo carregando velas, uns pagando promessa, acompanhando o cortejo descalços, crianças vestidas de anjos ou de santos. A procissão sempre terminava na porta da Igreja Matriz, onde era montado um altar, para a missa campal, seguido do triste canto da Verônica ao seu final.

Na manhã seguinte, sábado de Aleluia, logo bem cedo, com uma roupa velha de adulto, inclusive com um botinão bem velho, o povo montava um boneco, quase sempre recheado de palha de milho. Era o Judas, prontinho para a malhação.

Lembro muito bem que ele era dependurado num pau, na frente das casas da colônia, e aí ao meio dia em ponto, começava a malhação, com as crianças e os adultos atirando pedras e paus no boneco, soltando junto, o palavrório contra o traidor de Nosso  Senhor!

No final, os homens soltavam rojões em cima do boneco, outras vezes davam tiros de espingardas, para depois os moleques da colônia saírem chutando, em grande algazarra, o que restou de Judas.  No final, juntavam tudo e faziam uma grande fogueira. Pronto, tudo estava consumado e todo mundo de alma lavada. Depois disso, o povo começava cuidar dos preparativos para o grande Baile de Aleluia. Assim, nossa história continua na semana que vem, que não por acaso, é sábado de Aleluia. Então, até lá.

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