POLÍTICA

Deputado da região entra na mira da PF em investigação sobre emendas de R$ 119 milhões

Deputado da região entra na mira da PF em investigação sobre emendas de R$ 119 milhões

Emendas foram suspensas pelo STF; deputado afirma que apenas atuou como relator do Orçamento

Emendas foram suspensas pelo STF; deputado afirma que apenas atuou como relator do Orçamento

Publicada há 1 hora

Foto: Reprodução / Fonte: Divulgação Ascom

O nome do deputado federal Luiz Carlos Motta (PL-SP), um dos principais representantes políticos da região noroeste paulista em Brasília, com domicílio eleitoral em Rio Preto e atuação forte na região noroeste paulista, passou a integrar uma investigação de grande repercussão nacional conduzida pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares que movimentou R$ 119 milhões.

A investigação, que teve novo capítulo nesta sexta-feira (10), levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar a suspensão das emendas sob suspeita e o bloqueio de R$ 119 milhões das contas do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Segundo as apurações, além de Motta, também aparecem como autores formais de emendas o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o deputado Capitão Alden (BA). Para a Polícia Federal, entretanto, os verdadeiros articuladores dos repasses seriam integrantes de um núcleo ligado à direção nacional do partido.

Defesa

Luiz Carlos Motta afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que seu nome consta na investigação porque exerceu a função de relator do Orçamento de 2024, sustentando que sua participação decorreu exclusivamente do procedimento institucional previsto para a tramitação das emendas.

Já o deputado Capitão Alden declarou que as indicações seguiram os trâmites legais e institucionais. Até a publicação das informações, Sóstenes Cavalcante não havia se manifestado.

O esquema investigado

De acordo com a decisão do ministro Flávio Dino, existem "indícios convergentes" da atuação coordenada de servidores da Câmara dos Deputados e de Valdemar Costa Neto para direcionar recursos públicos por meio de um sistema paralelo de distribuição de emendas.

As investigações da Polícia Federal apontam que servidores da Câmara mantinham planilhas informais e tratavam emendas parlamentares como se fossem cotas privadas destinadas a atender interesses políticos específicos.

Para conferir aparência de legalidade ao procedimento, deputados do PL eram registrados formalmente como autores das indicações, embora, segundo a PF, não fossem necessariamente os responsáveis pelas solicitações.

Ao todo, a investigação identifica 21 emendas supostamente fraudadas entre junho de 2024 e março de 2025, sendo a maior parte destinada ao Ministério do Turismo.

Operação é desdobramento de investigação anterior

A decisão do STF decorre de uma operação realizada pela Polícia Federal em dezembro de 2025, que teve como principal alvo a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca".

Também são investigados os servidores Nara Brum e Garigham Amarante Pinto, apontados como integrantes do núcleo operacional responsável pela tramitação das emendas.

PL contesta decisão

A defesa de Valdemar Costa Neto classificou a decisão do ministro Flávio Dino como uma "exposição pública prematura da investigação" e afirmou que não existe qualquer prática criminosa na articulação política para destinação de recursos orçamentários.

Segundo os advogados, a decisão estaria baseada em "premissas frágeis, inferências subjetivas e indevida criminalização da atividade político-partidária", negando a existência de qualquer esquema criminoso.

Por: Beto Iquegami

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

últimas