ANDRÉ MARCELO

BORDERLINE: vivendo no limite da sanidade

BORDERLINE: vivendo no limite da sanidade

Por André Marcelo Lima Pereira - Psicólogo

Por André Marcelo Lima Pereira - Psicólogo

Publicada há 9 anos

Quando uma pessoa alterna momentos de oscilação de humor (disforia e euforia episódicas), controle e descontrole em relação à estabilidade de comportamentos, gasta sem pensar e de modo descontrolado, come desenfreadamente ou adquire produtos às vezes supérfluos de forma exagerada, essa pessoa pode estar acometida pela Síndrome de Borderline, conhecida também por transtorno de personalidade limítrofe (1). 


A síndrome é uma condição mental grave, cujos sintomas são instáveis e dolorosos intimamente; esses sintomas podem invadir um indivíduo subitamente, transformando sua vida em um caos avassalador, porque interferem negativamente em seus relacionamentos interpessoais, na autoimagem e nos afetos (2). 


Os momentos de estabilidade são alternados por momentos psicóticos.Os sintomas mais frequentes da síndrome referem alterações do humor ao longo do dia, alternando euforia e profunda tristeza, impulsividade, tendência a reações emocionais fortes e impulsivas a situações de estresse, sentimentos de raiva e desespero ou mesmo pânico, irritabilidade e ansiedade com ou sem agressividade, medo de abandono por amigos e familiares, dependência por jogos, consumo exagerado de comida, baixa autoestima, não aceitação de regras ou críticas e, em casos mais graves, uso de substâncias psicoativas ou mesmo automutilação

e até suicídio, devido à sensação de solidão e de vazio interior. 


Portanto, a síndrome é caracterizada por grande instabilidade emocional, desregulação afetiva de forma excessiva, sentimentos intensos e polarizados (como “eu te adoro” e “eu te odeio” – portanto, indo da idolatria ao ódio), angústia de se sentir abandonado (abandono real ou temido), sensação de que seu “ego” está sendo invadido – tudo isso permite produzir comportamentos impulsivos perigosos, levando à recorrência de atos lesivos e autodestrutivos, como tentativas de suicídio e automutilação, e sentimentos profundos de vazio e tédio (3). 


O indivíduo acometido pelo transtorno necessita de uma investigação mais acurada por meio de exames fisiológicos como, por exemplo, hemograma e sorologia, com vistas a eliminar a possibilidade de ocorrência de outras doenças, uma vez que suas características se assemelham a doenças outras como, por exemplo, depressão ou esquizofrenia. A origem do transtorno de personalidade limítrofe  pode estar em uma predisposição genética;todavia com maior frequência ocorre devido a fortes experiências emocionais precoces, ocorridas na infância, e fatores ambientais. 


A morte de um familiar querido, o enfrentamento de uma doença pessoal ou de familiar muito próximo (que podem ser uma situação traumática), uma experiência de abuso sexual, a negligência ou instabilidade familiar, por exemplo, podem predispor a criança a desenvolver a síndrome no início da vida adulta. Uma vez detectada a doença por um psicólogo ou psiquiatra, mesmo em casos mais leves, é preciso tratamento da Síndrome de Borderline. 


Geralmente, ele se inicia pela psicoterapia e, em havendo necessidade devido à gravidade da síndrome, pela prescrição de medicamentos antidepressivos, estabilizadores de humor e calmantes. não se pode refutar, igualmente, que o paciente acometido pelo transtorno deve ter acompanhamento psicológico a fim de ser auxiliado na estabilização e controle das emoções (com treinamento direcionado à sua regulação), principalmente mantendo as emoções negativas sob controle – o que requer compreensão, acompanhamento constante, paciência e, especialmente, força de vontade do indivíduo.


ARAGUAIA, Mariana. Transtorno de personalidade Borderline. Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com. br/doencas/transtorno-personalidade-borderline.htm>. Acesso em: 05 maio 2016.

2 Originalmente, a síndrome de Borderline apontava para um grupo de pacientes que vivia no limite da sanidade (daí o termo limítrofe), ou seja, na fronteira (borda, borderline) entre a neurose e a psicose.

3 Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV).



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